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ONU pede que chefe das Forças Armadas de Mianmar responda pelo genocídio de muçulmanos rohingyas

10.out.2017 - Muçulmanos rohingyas fogem de Mianmar pela fronteira com Bangladesh - Fred Dufour/AFP
10.out.2017 - Muçulmanos rohingyas fogem de Mianmar pela fronteira com Bangladesh Imagem: Fred Dufour/AFP

Da AFP, em Yangon (Mianmar)

18/09/2018 07h43

Um grupo de investigadores da ONU pediu em um relatório ao governo de Mianmar que afaste o exército da política do país por seu envolvimento no "genocídio" dos muçulmanos rohingyas. Os investigadores da ONU também pedem a destituição dos comandantes militares. E pedem que o chefe das Forças Armadas, Min Aung Hlaing, e outros cinco oficiais de alta patente sejam processados por "genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra".

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O governo birmanês "tem que seguir o processo para retirar os militares da vida política", com uma reforma da Constituição neste sentido, indica o relatório.

Apesar da chegada ao governo em 2016 da vencedora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, os militares mantêm um papel chave no sistema político de Mianmar e controlam três ministérios (Defesa, Interior e Fronteiras).

Além disso, supervisionam a atribuição de 25% das cadeiras no Parlamento, o que permite bloquear qualquer emenda constitucional que limite seus poderes.

A missão da ONU, que não foi autorizada a entrar em Mianmar, entrevistou mais de 850 vítimas e testemunhas e utilizou imagens de satélite.

O relatório cita uma longa de lista de crimes cometidos contra os rohingyas e cita "assassinatos, desaparecimentos, tortura, violências sexuais, trabalho forçado", que constituem "os crimes mais graves de acordo com o direito internacional".

Também pede o fim de "todas as operações militares (...) ilegais, inúteis ou desproporcionais, em particular quando apontam contra civis" e pede às autoridades birmanesas "que não obstruam o retorno seguro e duradouro" da minoria rohingya.

Mais de 700.000 membros desta minoria fugiram em 2017 de Mianmar e encontraram refúgio em Bangladesh.

Mianmar e Bangladesh assinaram no fim de 2017 um acordo para repatriar os rohingyas, mas 10 meses depois o processo ainda não teve início. Os dois países trocam acusações. Os refugiados rohingyas se negam a retornar até que recebam garantias de segurança e garantias sobre seus direitos.

18.set.2018 - ONU apresentou relatório de mais de 400 páginas sobre o genocídio em Mianmar - Salvatore Di Nolfi/AP - Salvatore Di Nolfi/AP
18.set.2018 - ONU apresentou relatório de mais de 400 páginas sobre o genocídio em Mianmar
Imagem: Salvatore Di Nolfi/AP


A ONU também pede às autoridades birmanesas, em coordenação com a Cruz Vermelha e Bangladesh, que identifiquem as pessoas mortas ou desaparecidas.

As informações compiladas por investigadores afirmam que a estimativa de 10.000 mortos, antecipada pela ONG Médicos Sem Fronteiras, é "prudente".

A missão da ONU também pede a libertação dos dois jornalistas da Reuters, Wa Lone e Kyaw Soe Oo, condenados a sete anos de prisão por "violação de sigilo de Estado". Os repórteres investigavam a violência cometida pelos militares.

O relatório da ONU aponta a responsabilidade do Facebook e de outras redes sociais por terem sido utilizadas como vetor para divulgar a propaganda dos militares birmaneses durante a crise.

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