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Enviado dos EUA na coalizão internacional que combate o EI renuncia

22/12/2018 16h32

Washington, 22 dez 2018 (AFP) - O enviado especial dos Estados Unidos à coalizão internacional que luta contra o Estado Islâmico, Brett McGurk, apresentou sua renúncia na sexta-feira, informou neste sábado (22) um funcionário do Departamento de Estado.

Sua demissão, que será efetiva em 31 de dezembro, ocorre logo após o presidente Donald Trump ordenar abruptamente a retirada das tropas americanas da Síria, bem como da demissão do secretário da Defesa, Jim Mattis, citando desavenças importantes com o presidente.

McGurk, que tinha sido nomeado por Barack Obama e a quem Trump manteve, disse apenas na semana passada que "ninguém" estava "declarando uma missão cumprida" na batalha contra o EI, apenas dias antes do surpreendente anúncio da vitória contra o movimento extremista por parte do dissidente.

Trump, que adiou suas férias devido ao fracasso nas negociações pelo orçamento que provocaram a paralisação parcial do governo, insistiu neste sábado em que o EI "está praticamente derrotado".

"Quando me tornei presidente, o ISIS estava ficando louco", tuitou o presidente, usando o acrônimo em inglês do grupo. "Agora, o ISIS está praticamente derrotado e outros países locais, inclusive a Turquia, deveriam poder se encarregar facilmente do que resta. Estamos voltando para casa!", acrescentou.

Segundo informes, McGurk disse em sua carta de renúncia que os militantes do EI não foram derrotados e que a retirada prematura das tropas americanas poderia fomentar condições que permitam aos extremistas voltar a tomar o poder na região.

Com 45 anos, o enviado deve deixar o cargo em fevereiro, mas, segundo informes, sentiu que não poderia mais continuar o trabalho depois da declaração de Trump.

A notícia encerrou uma semana caótica em que Mattis, considerado um moderado na volúvel Casa Branca de Trump, renunciou depois de dizer ao presidente que não poderia aceitar sua decisão sobre a Síria.

A retirada das tropas de choque deixará milhares de combatentes curdos, que o Pentágono passou anos treinando e armado para combater o EI, vulneráveis a um ataque turco.

"Seria imprudente se disséssemos apenas: 'Bom, o califado físico está derrotado, sendo assim podemos partir agora'", disse McGurk a jornalistas no começo deste mês.

"Acredito que qualquer um que tenha visto um conflito como este estaria de acordo com isso".

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