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Internacional

Erdogan ameaça milícias curdas e envia reforços à fronteira com a Síria

24/12/2018 19h32

Ancara, 24 dez 2018 (AFP) - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, voltou a ameaçar nesta segunda-feira (24) as milícias curdas da Síria e enviou reforços militares para a fronteira do país no caso de uma eventual ofensiva após a retirada das tropas americanas.

As ameaças de Erdogan contra as Unidades de Proteção Popular (YPG) ocorrem após a assinatura da ordem de retirada das tropas americanas em Washington. Os Estados Unidos apoiam esta milícia curda no norte da Síria em sua luta contra os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI).

Ancara, que teme que se estabeleça em sua porta um embrião de Estado curdo, que fortaleça as tendências separatistas da minoria curda em seu próprio território, é ferozmente hostil às YPG. O grupo tem relação com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), classificado como organização terrorista pela Turquia e seus aliados ocidentais.

"Como não deixamos os árabes sírios ser uma presa do Daesh (acrônimo em árabe do EI), não deixaremos os curdos sírios serem presas da crueldade do PKK e das YPG", declarou Erdogan durante um discurso em Ancara.

"Por que estamos atualmente na Síria? Para que nossos irmãos árabes e curdos reencontrem sua liberdade", acrescentou.

- Reforços militares turcos -Após uma crescente pressão sobre as YPG, desorientadas com o anúncio da iminente retirada de seus aliados americanos, a Turquia enviou novos reforços militares à sua fronteira com a Síria para preparar a próxima ofensiva. Por enquanto, Erdogan decidiu adiá-la.

Unidades militares, canhões do tipo Howitzer e baterias de artilharia foram transportados em comboios ao distrito de Elbeyli, diante da fronteira síria na província turca de Kilis, segundo a agência estatal Anadolu.

O envio dos reforços tinha começado no fim de semana com a chegada de uma centena de veículos militares turcos na região de al Bab, controlada pelas forças pró-turcas no norte da Síria, noticiou o jornal Hürriyet.

Também foram mobilizados reforços militares na cidade de Akcakale e no distrito de Ceylanpinar, na província de Sanliurfa (sudeste da Turquia).

Pegando de surpresa os aliados dos Estados Unidos, Trump ordenou nesta quarta-feira a retirada o quanto antes dos aproximadamente 2.000 soldados americanos. Os militares estão no nordeste do país, onde lutam contra os jihadistas junto com as forças democráticas sírias (FDS), uma coalizão de milícias árabe-curdas lideradas pelas YPG.

O presidente, que se opõe há muito tempo à presença americana em um conflito considerado caro, avaliou que as tropas não eram mais úteis porque o grupo Estado Islâmico (EI) estava "em grande parte derrotado".

Uma delegação americana chegará "esta semana" a Ancara para negociar esta retirada de tropas da Síria, informou um porta-voz da Presidência turca na segunda-feira.

- "Erradicar o EI" -Após uma conversa por telefone no domingo entre Trump e Erdogan, a Presidência turca informou que os dois dirigentes tinham "concordado em garantir a coordenação entre os militares, os diplomatas e outros altos funcionários de seus países para evitar um vácuo de poder que poderia ser consequência da retirada e da fase de transição na Síria".

A coalizão curdo-árabe avançou em no último reduto do EI na província de Deir Ezzor, informou uma ONG, o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Segundo o jornal Washington Post, que cita fontes da Casa Branca, os assessores de Donald Trump o convenceram a retirar as tropas americanas mais lentamente do que gostaria para que sua segurança não seja ameaçada.

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