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Hoda Muthana, a 'noiva do Estado Islâmico' que quer se redimir nos EUA

22/02/2019 13h36

Washington, 22 Fev 2019 (AFP) - Hoda Muthana foi criada em um lar rigoroso no Alabama até que, quatro anos atrás, fugiu de casa e viajou para a Síria, onde se tornou "noiva do Estado Islâmico".

Agora, aos 24 anos, busca a redenção. Ela diz que está arrependida e quer voltar ao seu país para enfrentar a justiça.

Mas seu retorno aos Estados Unidos foi rejeitado pelo presidente Donald Trump, que negou que Muthana seja cidadã americana. O advogado da jovem, por outro lado, mostra documentos segundo os quais ela nasceu em Nova Jersey em 1994.

Filha de um diplomata iemenita, Muthana cresceu em uma família rigorosa em Hoover, uma cidade de 80 mil habitantes no estado rural do Alabama.

Em uma carta que seu advogado compartilhou esta semana com a imprensa, Hoda afirma que naquela época era "ingênua, arrogante e estava furiosa".

No entanto, Jordan LaPorta, um colega de classe que estudou com ela entre 2009 e 2013, lembra de "uma jovem agradável e silenciosa".

"Ninguém tinha ideia de que o radicalismo estava infectando-a quando as primeiras notícias sobre ela foram publicadas em 2015" pelo BuzzFeed, disse à AFP.

Depois de se formar no ensino médio em 2013, Hoda estudou brevemente na Universidade do Alabama em Birmingham, onde, segundo LaPorta, poderia ter se radicalizado.

Agora, Muthana garante que seus recrutadores fizeram-lhe uma lavagem cerebral devido ao conservadorismo em que foi criada e à hipervigilância de seus movimentos.

"Hoda foi superprotegida, sua mãe restringia seu acesso a amigos e foi assim que ela encontrou um lugar de pertencimento ao telefone, on-line", declarou o advogado Hassan Shible à AFP.

"Quando ela finalmente entrou em contato com os recrutadores que a estavam assediando, eles deram a ela muita atenção e brincaram com sua mente, afastando-a de seus amigos, sua família, sua comunidade e sua Mesquita".

Finalmente, em 2014, aos 20 anos, Hoda mentiu para seus pais poder ir à Turquia e, em vez disso, viajou para a Síria, onde se tornou "noiva do Estado Islâmico" e, eventualmente, sua viúva.

Logo depois, postou no Twitter uma foto de quatro mulheres que pareciam queimar seus passaportes ocidentais, incluindo um americano.

- "Lavagem cerebral" -A partir de então, sob o nome de "Umm Jihad", Muthana atacou no Twitter os americanos e enalteceu o Estado Islâmico (EI), que chegou a controlar vastos territórios na Síria e no Iraque.

Ela se estabeleceu na cidade síria de Raqa, onde se casou com um extremista australiano que morreu pouco depois. Agora tem um filho de 18 meses, Adam, de seu segundo marido, um combatente tunisiano. Quando este também faleceu, Muthana se casou com um combatente sírio.

Segundo a imprensa, no momento da morte de seu primeiro marido em 2015 ela tuitou: "Americanos, acordem! (...) Derramem todo o seu sangue, ou peguem um caminhão grande e atropelem todos".

O pai de Muthana, Mohammed, disse ao Buzzfeed que não conseguia entender onde havia falhado. "Eu quero me desculpar pelo que minha filha fez", comentou. "Ela não é assim, ofreu uma lavagem cerebral".

Dois anos após este episódio, LaPorta recebeu uma ameaça de morte da nova conta do Instagram de Muthana.

"Ela marcou minha conta pessoal dizendo que eu sou um 'nerd' (...), que meu nome estava em uma lista de mortos e que eu não 'merecia um pescoço'", contou LaPorta.

Ele acrescentou que a resposta da comunidade tem sido "principalmente negativa", embora ele considere a jovem uma vítima.

- 'Mudança' -Seguiram-se meses de fanatismo no Twitter de Muthana, que seu advogado afirma que não pertencia completamente a ela.

"Sabemos que os tuítes foram postados pouco depois da morte de seu primeiro marido e também que ela não tinha o controle completo de sua conta", garantiu Shibly à AFP.

"Apesar das circunstâncias, nada justifica tanto ódio e ela está profundamente envergonhada e disposta a pagar o preço", acrescentou o advogado.

Detida no noroeste da Síria pelas forças curdas aliadas dos Estados Unidos, Muthana assegura que renunciou ao extremismo e que quer retornar para casa com seu filho.

"Ver tanto sangue derramado me mudou. Ver morrer meus amigos, crianças e meus maridos me mudou. Ver quão distinta pode ser uma sociedade comparada com a querida América onde nasci e me criei, me mudou", declarou em sua carta.

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