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Duas potências nucleares em atrito: o que se sabe sobre a crise entre Índia e Paquistão

26.fev.2019 - Indiano grita palavras de ordem em Nova Déli para celebrar bombardeio aéreo no Paquistão - Altaf Qadri/AP
26.fev.2019 - Indiano grita palavras de ordem em Nova Déli para celebrar bombardeio aéreo no Paquistão Imagem: Altaf Qadri/AP

Em Nova Déli (Índia)

28/02/2019 09h44

A Índia e o Paquistão estão à beira de um conflito após três dias de escalada na disputa pela região da Caxemira.

A crise começou após um atentado suicida na Caxemira indiana no qual pelo menos 40 paramilitares indianos foram mortos, em 14 de fevereiro, provocando uma onda de rejeição na Índia.

O ataque foi reivindicado pelo grupo islamita Jaish e Mohammed (JeM), com base no Paquistão.

A Índia e o Paquistão travaram três guerras, duas delas pelo controle da região da Caxemira, nas montanhas do Himalaia, povoada por uma maioria de muçulmanos e dividida entre os dois países.

Ambos reivindicam o controle da Caxemira desde a independência em 1947.

A Índia tem cerca de 500 mil soldados implantados no território que controla para silenciar uma insurreição separatista.

Nova Déli denuncia que Islamabad apoia infiltrações de rebeldes e da rebelião armada.

A reação da Índia

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, prometeu encontrar os responsáveis pelo ataque e exigiu "ação concreta" por parte do Paquistão.

Em 26 de fevereiro, caças da Força Aérea Indiana entraram no espaço aéreo paquistanês para um "ataque preventivo" contra o que apresentou como um grande campo de treinamento do grupo JeM em uma área de fronteira da Caxemira.

Um grande número de combatentes foi morto no ataque, segundo Nova Déli, que disse que o grupo está preparando novos ataques.

O Paquistão confirmou o ataque aéreo indiano, mas afirmou que os caças só teriam liberado suas "cargas úteis", cuja natureza precisa não foi especificada, o que não teria causado danos ou vítimas.

A reação do Paquistão

Islamabad denunciou uma "agressão intempestiva" e prometeu responder quando julgar apropriado.

O ataque aéreo da Índia no Paquistão foi o primeiro do tipo desde a guerra de 1971 na região leste do Paquistão (agora Bangladesh), antes de os dois países se tornarem potências nucleares.

Na quarta-feira, os caças paquistaneses cruzaram a fronteira da Caxemira e bombardearam em território aberto.

Nos combates que se seguiram a este ataque, o Paquistão anunciou ter derrubado dois aviões indianos, dos quais um teria caído do lado indiano da Caxemira e outro do lado paquistanês, e a prisão de um piloto indiano.

A Índia declarou ter "perdido um Mig-21" e abatido um avião paquistanês, o que Islamabad negou.

O Paquistão anunciou então o fechamento de seu espaço aéreo.

Piloto será libertado

A crise preocupa a comunidade internacional, que teme um conflito aberto.

Mas, sinal de uma possível distensão, o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, anunciou hoje (28) que vai libertar amanhã o piloto capturado no confronto.

"Como gesto de paz, vamos libertar o piloto indiano (amanhã)", declarou o chefe de governo perante a Assembleia Nacional.

Os dois países estão sob pressão para evitar a todo custo uma nova guerra, mas o governo indiano também se vê num impasse pela opinião pública, reticente em deixar a última palavra ao Paquistão.

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