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Bolsonaro consolida aliança com Trump firmando acordo espacial

18/03/2019 19h20

Washington, 18 Mar 2019 (AFP) - O presidente Jair Bolsonaro firmou nesta segunda-feira, durante sua visita aos Estados Unidos, um acordo sobre o uso da base de Alcântara, no Maranhão, o que consolida sua aliança com o líder americano, Donald Trump.

O acordo, que prevê salvaguardas tecnológicas que permitirão o uso da base de Alcântara para o lançamento de foguetes americanos, foi firmado pelo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, antes do encontro entre Bolsonaro e Trump, na terça-feira.

A base de Alcântara está numa localização ideal para lançamentos, por estar muito próxima da Linha do Equador, o que permite economizar até 30% de combustível ou levar mais carga.

Durante o dia, Bolsonaro visitou a sede da CIA para conversar sobre crime organizado e tráfico de drogas, assim como outros temas importantes para a segurança do Brasil.

Esta incomum visita de um presidente estrangeiro à agência de Inteligência americana foi informada por Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do mandatário.

Bolsonaro chegou a Washington no domingo à tarde. Embora seja sua primeira viagem oficial ao exterior desde que assumiu o poder em 1º de janeiro, sua estreia internacional foi o Fórum de Davos realizado na Suíça neste mesmo mês.

Sua visita servirá para promover os negócios e investimentos bilaterais.

A decisão de romper a tradição dos últimos presidentes brasileiros de fazer sua primeira visita oficial à Argentina foi um gesto ao qual Trump correspondeu, alojando Bolsonaro na Blair House, a residência oficial para hóspedes oficiais situada em frente à Casa Branca.

"Brasil e Estados Unidos juntos assustam os defensores do atraso e da tirania ao redor do mundo. Os quem tem medo de parcerias com um país livre e próspero? É o que viemos buscar!", tuitou Bolsonaro depois de aterrissar no domingo.

Desde que chegou ao poder em janeiro, o presidente de extrema direita deu uma guinada na diplomacia brasileira, tradicionalmente equidistante dos grandes poderes mundiais, e se orientou para estreitar relações com governos conservadores e "antiglobalistas" como Estados Unidos, Israel e Itália.

Ernesto Araújo disse que a viagem aos Estados Unidos marcará a "reativação de uma associação natural".

Bolsonaro viajou acompanhado de seis ministros, entre eles Araújo, o titular de Economia, Paulo Guedes, e o da Justiça e Segurança, Sérgio Moro.

Décadas de relações que não passavam de cordiais entre Brasília e Washington ficaram para trás com a chegada de Bolsonaro ao poder, apelidado de "Trump tropical" por sua admiração e sua sintonia ideológica com a agenda nacionalista e "antiglobalista" do americano.

Na noite de domingo, Bolsonaro participou de um jantar na residência do embaixador do Brasil em Washington. Também estiveram presentes Steve Bannon, o polêmico ex-assessor de Trump, e Olavo de Carvalho, considerado o guru de Bolsonaro.

Na tarde de ontem, cerca de 50 pessoas se reuniram diante da Casa Branca para protestar com cartazes que diziam "Bolsonaro assassino" e "Lula Livre".

- Agenda cheiaSua visita é uma vitrine para promover negócios e investimentos. O presidente discursa no momento na Câmara de Comércio.

Durante o dia, manteve uma reunião privada com o ex-secretário do Tesouro Henry Paulson.

Na terça, às 9h30 locais, Bolsonaro se encontra com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro.

O prato principal do dia será o esperado encontro com Trump na Casa Branca, que incluirá uma entrevista coletiva, antes do encontro privado entre ambos os presidentes programado para 14h15 locais.

Um dos eixos da agenda com Trump é a crise na Venezuela. A oposição ferrenha ao que ambos consideram uma "ditadura" no país caribenho é um dos temas que mais os une.

Os Estados Unidos estão à frente dos mais de 50 países - entre eles o Brasil - que reconhecem o líder opositor Juan Guaidó como presidente interino. Sanções econômicas e um embargo do petróleo da Venezuela foram aplicados.

Os analistas esperam que ambos também discutam medidas para aumentar o comércio bilateral - sem rebaixar limites que no caso do Brasil impõe o Mercosul - e o ingresso do gigante sul-americano na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE).

Bolsonaro assinará em Washington um acordo de salvaguardas tecnológicas que permitirá o uso da base de Alcântara para lançamento de foguetes americanos.

Na quinta-feira, o presidente afirmou que esse acordo será "muito importante, estamos perdendo muito dinheiro nessa região. Poderíamos estar lançando satélites de todo mundo".

O acordo deve ser aprovado pelo Congresso brasileiro, e muitos setores nacionalistas o veem como um risco de perda de soberania.

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