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Espanha encerra campanha eleitoral marcada pelo avanço da extrema-direita

26/04/2019 18h48

Madri, 26 Abr 2019 (AFP) - A Espanha encerra nesta sexta-feira uma acirrada campanha para as eleições legislativas de domingo, em meio aos apelos do atual primeiro-ministro, o socialista Pedro Sánchez, para que o país impeça o avanço da extrema-direita, que alterou o panorama político do país e com a qual os conservadores estariam dispostos a governar.

Quase inexistente na política espanhola desde o fim da ditadura de Francisco Franco, em 1975, a extrema-direita pode entrar com força no Congresso espanhol após as eleições de domingo com o partido Vox.

Com uma ideologia ultranacionalista, anti-imigração e antifeminista, as pesquisas mais recentes atribuem mais de 10% das intenções de voto ao Vox, que em 2016 recebeu apenas 0,2%.

Um cenário que os socialistas, favoritos nas pesquisas, utilizaram para mobilizar seu eleitorado. Segundo advertem, poderiam ficar isolados por um eventual acordo entre o conservador Partido Popular, os liberais do Cidadãos e o Vox, como já ocorreu na Andaluzia no início do ano.

"Essa certeza existe, se no próximo domingo os três grupos de direita se unirem, vamos ter Pablo Casado [do PP] como presidente, Albert Rivera [do Cidadãos] de acompanhante e a extrema-direita no comando", disse Sánchez num comício em Madri.

- Casado, aberto a Vox -Sánchez disse isso horas depois de Casado revelar que está disposto a governar com o Vox.

"Se no final, Vox e Ciudadãos, conquistarem 10 representantes ou 40, terão a influência que desejam para entrar no Governo ou para decidir quem deve estra à frente do governo ou no comando do legislativo. Portanto, por que vamos andar criticando uns aos outros, se o que temos que fazer é somar?", disse Casado a uma emissora de rádio.

Em Madri, Santiago Abascal, líder do Vox, advertia em tom de tragédia que no domingo será decidido "ou separação ou a continuidade histórica da nos pátria (...) ou a anti-Espanha ou a Espanha viva".

Dez meses depois da moção de censura contra seu antecessor, o conservador Mariano Rajoy, Sánchez lidera todas as pesquisas.

Mas a governabilidade é complicada em um Congresso dividido em dois grandes blocos: de um lado os socialistas do PSOE e o partido Podemos (esquerda radical), do outro o Partido Popular (conservadores), Cidadãos (centro-direita) e Vox.

"As maiorias são muito improváveis tanto de uma como de outra", afirmou Francisco Camas, do instituto Metroscopia, para quem os votos dos partidos regionais catalães e bascos podem ser cruciais.

Uma possibilidade difícil mas não descartada de todo por Sánchez seria um acordo com o Cidadãos, contra o que foi advertido por Pablo Iglesias, líder do Podemos e desejoso de governar com os socialistas.

"É evidente que os poderes econômicos e velhos setores do Partido Socialista vão apostar nesse acordo", declarou Iglesias para seus militantes.

A incerteza é elevada: quatro milhões de pessoas se declaram indecisas, recorda Camas, e há muita volatilidade, especialmente na direita, envolvida em uma batalha para saber quem lidera o campo conservador.

"Podem ocorrer mudanças de último minuto no apoio aos partidos que afetariam a probabilidade das diferentes opções de governo", destaca Antonio Barroso, analista Teneo Intelligence.

- Catalunha: tema central -Questões como a desaceleração econômica, as aposentadorias, o elevado índice de desemprego (14,5%) ou a incerteza europeia pelo Brexit ficaram em segundo plano.

A Catalunha centralizou os debates, um ano e meio depois da tentativa de secessão da região, em 2017, e com o julgamento por rebeldia em curso contra 12 políticos setistas.

Levado ao poder com o respaldo do Podemos, nacionalistas bascos e separatistas catalães, Sánchez buscou apaziguar o conflito e iniciou uma negociação com o presidente regional Quim Torra.

Embora o diálogo não tenha prosperado - os separatistas derrubaram os orçamentos de Sánchez, que convocou eleições antecipadas -, a aproximação incendiou a direita, que a transformou em sua principal arma. Casado chamou Sánchez de "traidor", "criminoso", "desleal" e de ser "um perigo público para a Espanha".

Ao contrário da tentativa de diálogo de Sánchez, a direita propõe suspender a autonomia regional, como Rajoy fez após a tentativa frustrada de secessão, e em alguns casos que os partidos separatistas sejam declarados ilegais.

Estes partidos, no entanto, podem ser cruciais para a reeleição de Sánchez, que já repetiu diversas vezes que não cederá a sua principal reivindicação: um referendo de autodeterminação.

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