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Espanha enviará navio militar para resgatar migrantes em embarcação perto de Lampedusa

Barco humanitário da ONG espanhola Open Arms, que se encontra atualmente perto da ilha italiana de Lampedusa - Guglielmo Mangiapane/Reuters
Barco humanitário da ONG espanhola Open Arms, que se encontra atualmente perto da ilha italiana de Lampedusa Imagem: Guglielmo Mangiapane/Reuters

20/08/2019 10h27

O governo espanhol anunciou hoje que enviará um navio militar para recuperar os migrantes do Open Arms, resolvendo assim a "emergência humanitária" a bordo da embarcação posicionada diante da ilha italiana de Lampedusa.

"O Audaz, que partirá esta tarde às 17h00 (12h00 de Brasília), navegará durante três dias até Lampedusa, onde assumirá as pessoas acolhidas no Open Arms e procederá o acompanhamento da embarcação da ONG Proactiva Open Arms até o porto de Palma, em Mallorca", explicou o governo em um comunicado.

Parados desde quinta-feira a algumas centenas de metros da costa da ilha italiana, os migrantes resgatados pela ONG na costa da Líbia foram proibidos de desembarcar em Lampedusa, mesmo que seis países europeus (França, Alemanha, Luxemburgo, Portugal Romênia e Espanha) tenham se comprometido a recebê-los.

Em um gesto de desespero, quinze migrantes, alguns sem coletes salva-vidas, se jogaram nesta terça-feira no mar para tentar nadar até Lampedusa.

"A situação está fora de controle", disse o Proactiva Open Arms no Twitter.

Segundo um porta-voz da ONG, foram "resgatados" pela guarda costeira italiana e "evacuados para Lampedusa".

Alguns dos migrantes estão a bordo do Open Arms há 19 dias, igualando o recorde dos migrantes resgatados pelo SeaWatch3 no final de dezembro, antes de atracar em Malta em 9 de janeiro.

Diante da recusa de Roma em deixá-los desembarcar na ilha, Madri acabou por propor no domingo à embarcação para navegar até Algeciras, no extremo sul da Espanha, o que a ONG considerou "absolutamente irrealizável".

O governo espanhol propôs então as Ilhas Baleares, mais próximas mas ainda distantes mil quilômetros de Lampedusa, uma ideia considerada "incompreensível" pela Open Arms por causa dos três dias de mar necessários para chegar ao arquipélago espanhol.

Em uma entrevista publicada nesta terça-feira pelo El Pais, o fundador da Open Arms, Oscar Camps, pediu que os migrantes sejam autorizados a desembarcar em Lampedusa antes de serem transferidos de avião para a Espanha.

O ministro italiano dos Transportes, Danilo Toninelli, mostrou-se disposto que a Guarda Costeira italiana transporte os migrantes para a Espanha. Mas desde que Madri retire sua bandeira da Open Arms.

"A situação a bordo do Open Arms tornou-se insustentável", disse ele, enquanto, segundo a agência de notícias italiana AGI, o procurador de Agrigento na Sicília foi ao local para monitorar a situação.

O destino dos migrantes do Open Arms acirrou a disputa entre Madri e Matteo Salvini, acusado de querer tirar proveito político deste caso em plena crise política em Roma, onde o governo populista torpedeado por Salvini deve cair nesta terça-feira.

"A firmeza é a única maneira de impedir que a Itália se torne novamente o campo de refugiados da Europa, como demonstra o barco da ONG espanhola cheia de falsos doentes e falsos menores", martelou Salvini no Twitter.

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