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França faz homenagem a vítimas cinco anos depois da chacina no Charlie Hebdo

7.jan.2020 - Trabalho do artista francês Christian Guemy, também conhecido como C215, mostra integrantes do semanário Charlie Hebdo em uma esquina próxima ao endereço da redação, em Paris - François Guillot/AFP
7.jan.2020 - Trabalho do artista francês Christian Guemy, também conhecido como C215, mostra integrantes do semanário Charlie Hebdo em uma esquina próxima ao endereço da redação, em Paris Imagem: François Guillot/AFP

Em Paris

07/01/2020 11h06

A França recordou hoje as vítimas do massacre no Charlie Hebdo, ocorrido há exatos cinco anos, e que marcou o início de uma onda de ataques jihadistas no país.

Cem pessoas reuniram-se em frente às antigas instalações do semanário satírico, no centro de Paris, onde, por volta do mesmo horário, em 7 de janeiro de 2015, dois jihadistas, os irmãos Sherif e Said Kouachi, invadiram a redação da revista e mataram 12 pessoas em seu interior, entre funcionários e artistas.

O semanário satírico tornou-se alvo de islamitas depois de publicar vários desenhos ironizando o profetá Maomé, em 2012, 2011 e 2006.

Os irmãos afirmaram ter agido para se vingar da publicação no jornal de charges de Maomé, consideradas ofensivas para os muçulmanos.

"Vingamos o Profeta Maomé. Matamos o Charlie Hebdo!", gritaram enquanto fugiam do local do ataque.

As cerimônias de homenagem, que incluem leituras comemorativas, placas, coroas de flores e minutos de silêncio, foram muito sóbrias, a pedido das famílias das vítimas.

Esses atos envolvem vários membros do governo, incluindo o Ministro do Interior, o Ministro da Justiça e a prefeita de Paris, Anne Hidalgo.

Outras homenagens estão agendadas para quinta-feira em frente a um supermercado kosher, onde, dois dias depois, um cúmplice dos irmãos Kouachi, Amedy Coulibaly, matou quatro pessoas, todas judias, depois de torná-las reféns.

No dia anterior, ele já havia assassinado uma policial municipal na cidade de Montrouge, ao sul de Paris, que também será homenageada na quarta-feira.

Esta série de atentados terminou com o ataque mais sangrento de todos.

Na noite de 13 de novembro, uma sexta-feira, três comandos terroristas coordenaram ataques em um estádio de futebol, em bares e restaurantes em Paris e no salão de espetáculos Bataclan, o que deixou ao todo 130 mortos.

Desde então, a ameaça terrorista permanece alta, segundo a inteligência francesa.

Cinco anos depois, um novo capítulo será aberto na França, o do processo judicial.

De maio a julho deste ano, 14 suspeitos acusados de fornecer apoio logístico aos irmãos Kouachi e Coulibaly serão julgados em Paris perante um tribunal criminal especial.

Os motivos do massacre realizado no Charlie Hebdo, apesar de terem desencadeado solidariedade e apoio à liberdade de expressão, fizeram com que as charges, um meio político de opinião, se tornassem um gênero ameaçado, em meio aos jornais cada vez mais temerosos de publicá-las e a redes sociais prontas para expressar indignação em relação a elas.

Além disso, o ataque contra o Charlie Hebdo provocou ondas de choque por toda a França, revelando divisões num país que se orgulha do seu multiculturalismo e gerando um intenso debate sobre a integração da comunidade muçulmana e a liberdade de imprensa.

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