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Coronavírus

OMS alerta que pandemia do coronavírus continua acelerando no mundo

Ilustração 3D do novo coronavírus - Handout .
Ilustração 3D do novo coronavírus Imagem: Handout .

em Dubai (Emirados Árabes Unidos)

22/06/2020 22h21

A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu hoje que a pandemia continua "acelerando" no mundo, com mais de nove milhões de casos confirmados, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) indicou que a recuperação econômica coexistirá com a covid-19.

A advertência da OMS chegou depois de o Brasil superar as 50.000 mortes pelo novo coronavírus, ao mesmo tempo em que as cifras continuam aumentando na América Latina, atual epicentro da crise sanitária. E os países europeus continuam relaxando suas restrições diante da redução no ritmo de contágios e mortes.

A pandemia da covid-19 "continua acelerando", com "um milhão de casos registrados em apenas oito dias", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma conferência virtual organizada por Dubai.

"Sabemos que a pandemia é muito mais que uma crise de saúde, é uma crise econômica, social e, em muitos países, política. Seus efeitos serão sentidos durante décadas", completou.

O diretor-geral da OMS pediu, ainda, aos laboratórios farmacêuticos que se aumente a produção de dexametasona e se "distribua rapidamente no mundo inteiro" este poderoso esteroide que se mostrou eficaz no tratamento de doentes graves da covid-19.

O novo coronavírus provocou mais de 470.000 mortes e 9 milhões de contágios no mundo, desde que o vírus foi detectado na China no fim do ano passado, segundo um balanço da AFP com base em fontes oficiais.

No aspecto econômico, o FMI, que tinha previsto em abril que a reativação econômica ocorreria depois da pandemia, mudou o enfoque.

"A reativação que prevemos agora coexistirá com a pandemia", disse à CNN a diretora-gerente do Fundo, Kristalina Georgieva, que se disse preocupada com algumas regiões do sul da Ásia e a incerteza sobre a evolução do vírus na África.

Nesta segunda, a África do Sul superou os 100.000 casos, com quase 2.000 óbitos, segundo cifras oficiais.

O FMI revelará na quarta-feira as previsões sobre a economia global que, segundo reiterou Georgieva, serão piores que as de abril, quando foi estimada uma queda de 3% do PIB mundial.

Novo recorde diário na Argentina

No Brasil, que tem metade dos dois milhões de casos da América Latina, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que chegou a qualificar a doença como uma "gripezinha", não fez comentários sobre os mais de 50.000 mortos alcançados no domingo.

Segundo os números mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde, o Brasil tem até a noite de hoje 1.106.470 casos e 51.271 mortos. Nas últimas 24 horas, o país registrou 21.432 novos casos e 654 novos óbitos.

No Peru, o segundo país latino-americano em número de casos (257.447) e o terceiro em número de mortos (8.223), os shopping centers reabriram hoje com metade da capacidade, após 99 dias de confinamento.

As autoridades, que buscam reativar a economia, descartaram, no entanto, a reabertura de Machu Picchu em julho.

A Argentina, enquanto isso, alcançou nesta segunda um recorde diário de contágios e falecimentos por covid-19, com 2.146 novos casos e 32 mortes. No total, o país soma quase 45.000 infectados e mais de 1.000 óbitos, 90% dos quais concentrados na capital e sua periferia, com 14 milhões de habitantes).

No México, onde as autoridades sanitárias previam tempos atrás um máximo de 8.000 mortes, agora preveem até 35.000.

Adiada a reativação de algumas atividades, especialistas advertem para a situação do país: "estamos no ponto mais alto do platô, quando o ideal seria chegar ao topo e começar a baixar, não ficar aí, para pensar em reativar gradualmente a economia", disse Malaquías López Cervantes, epidemiologista da Universidade Autônoma do México.

Nesta segunda, o México somava 185.122 contágios e 22.584 falecimentos.

No Uruguai, país de 3,4 milhões de habitantes, que chegou a ter apenas 12 casos ativos da covid-19 na quinta-feira, registrou uma nova onda, com 37 contagiados em um departamento fronteiriço com o Brasil. O total alcançou 882 casos e 25 mortos.

O presidente Luis Lacalle Pou exortou o reforço das medidas preventivas: "Vou falar a todo o país: relaxamos um pouco", disse.

Europa em outra sintonia

Alguns países da Europa, o continente mais castigado pela pandemia, com mais de 193.000 mortes e 2,5 milhões de casos, continuavam a relaxar as medidas de precaução diante da diminuição de casos.

No entanto, novos casos obrigaram alguns a revertê-las, como Portugal, que reforçou o confinamento na região de Lisboa.

A França, ao contrário, iniciou uma nova etapa nesta segunda, com a reabertura de vários estabelecimentos de lazer, os esportes coletivos e a volta generalizada das crianças à escola.

A vizinha Espanha, que adotou um dos confinamentos mais severos do mundo, suspendeu no domingo o estado de alerta e abriu as fronteiras com os demais Estados membros da UE, com exceção de Portugal.

As autoridades pedem prudência diante do temor de uma segunda onda da doença, como na China, onde depois de dois meses sem novos casos, foram detectados mais de 220 contágios em Pequim.

Neste sentido, o diretor da OMS pediu aos governos que se preparem para futuros surtos que podem acontecer "em qualquer país a qualquer momento e matar milhões de pessoas porque não estamos preparados".

No mundo dos esportes, que após vários meses de paralisação começa a retomar as atividades, mais casos positivos da covid-19 foram anunciados nas últimas horas.

O Estrela Vermelha de Belgrado anunciou que cinco jogadores foram diagnosticados com o novo coronavírus e o uruguaio Jonathan Rodríguez, atacante do Cruz Azul, da primeira divisão do futebol mexicano, também contraiu a doença.

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