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Califórnia processa Trump por suspensão de visto de estudante

Reuters
Imagem: Reuters

De Los Angeles

09/07/2020 23h55

O estado da Califórnia entrou nesta quinta-feira (9) com uma ação contra a política governamental do presidente Donald Trump, que ameaça suspender os vistos de estudantes estrangeiros que assistem aulas no modelo de ensino virtual devido à pandemia.

A polícia federal de imigração, ICE, disse na segunda-feira que estudantes estrangeiros matriculados em programas totalmente online para o semestre do outono (no hemisfério norte) não poderão entrar no país.

A medida, que afeta dezenas de milhares de estudantes na Califórnia, é considerada "ilegal" pelo advogado federal do estado, Xavier Becerra.

"Que vergonha para o governo Trump por não apenas ameaçar as chances dos estudantes irem para a faculdade, mas também sua saúde e bem-estar", forçando-os a frequentar fisicamente as aulas em grupo, apesar da pandemia da covid-19, escreveu Becerra em uma declaração.

A Califórnia, o estado mais populoso dos Estados Unidos e onde está ocorrendo um dos principais surtos do coronavírus no país, registra atualmente mais de 8.000 novos casos por dia, totalizando quase 300.000.

"Esse processo baseia-se no princípio comprovado nos Estados Unidos de que qualquer um que trabalhe duro e cumpra as regras pode ter uma chance de avançar", afirmou.

O advogado da Califórnia, um estado democrata que se envolveu em várias disputas legais com o governo Trump desde que o bilionário conservador assumiu o à presidência, também aponta que a decisão de restringir o visto de estudante pode pressionar fortemente as finanças das universidades, já gravemente afetadas pela crise da saúde.

O reitor do sistema universitário público da Califórnia, uma rede que representa apenas uma pequena parte do ensino superior no estado, denunciou uma "política brutal e rígida".

Coloca seus 10.300 ou mais estudantes estrangeiros "em uma posição extremamente difícil" e priva a comunidade educacional e os Estados Unidos "de sua contribuição", acrescentou.

A Universidade de Harvard, que também planeja aulas somente online no próximo ano, entrou com uma ação separada contra a política na quarta-feira, junto com o MIT.

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