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Vaticano é contra cobrar por missas e lembra que leigos podem celebrar casamentos

Em guia, Vaticano pede "plasticidade" e "criatividade" para atender às demandas dos novos tempos e adaptar seu serviço aos fiéis - André Coelho/Getty Images
Em guia, Vaticano pede "plasticidade" e "criatividade" para atender às demandas dos novos tempos e adaptar seu serviço aos fiéis Imagem: André Coelho/Getty Images

20/07/2020 12h49Atualizada em 20/07/2020 14h44

O Vaticano divulgou hoje um guia para as paróquias em todo mundo, no qual pede que se elimine as taxas de missas e rituais funerários e lembra que, em alguns casos, os leigos podem celebrar casamentos.

Preparado pela Congregação para o Clero com o título "A conversão pastoral da comunidade paroquial a serviço da missão evangelizadora da Igreja", o documento foi aprovado pelo papa Francisco em 27 de junho.

O texto analisa o impacto da globalização e do mundo digital na Igreja, reconhecendo que a paróquia não é apenas um espaço geográfico, mas "um espaço existencial".

Por esse motivo, pede "plasticidade" e "criatividade", a fim de captar as demandas dos novos tempos e adaptar seu serviço aos fiéis.

Dividido em 11 capítulos, o documento também lista uma série de normas já existentes e pouco aplicadas, e convida a "não negociar" com a vida sacramental.

"Não dar a impressão de que a celebração dos sacramentos - especialmente a Santíssima Eucaristia - e outras ações ministeriais podem estar sujeitas a taxas", enfatiza o texto.

Na Itália, o casamento em uma igreja histórica pode custar de 200 a 300 euros (entre 220 e 340 dólares), segundo o site especializado em casamentos panoramasposi.it.

"As ofertas para a celebração dos sacramentos devem ser 'um ato livre' da parte do ofertante e não devem ser exigidas como se fossem um imposto, ou uma tarifa", explica o site do Vaticano, Vatican News.

A paróquia deve ser uma "casa no meio das casas", um princípio fundamental para a evangelização.

"O pastor, que serve ao rebanho com generosa gratuidade, deve formar os fiéis, para que cada membro da comunidade se sinta responsável e diretamente envolvido no apoio às necessidades da Igreja, através de várias formas de ajuda e de solidariedade que a paróquia precisa realizar, com liberdade e eficiência, seu serviço pastoral", explica o guia.

O guia "não contém nenhuma novidade legislativa", de acordo com o site oficial, e é um complemento da "Instrução Interdicaterial" de 1997 e de 2002, ambas dedicadas à relação entre leigos e padres.

No entanto, diante de um dos problemas que mais afetam a Igreja moderna, a diminuição do número de padres, o Vaticano lembra que os leigos podem celebrar várias cerimônias religiosas, como batismo e funeral, com a aprovação do bispo local e sob a responsabilidade do pároco.

"Os leigos também podem ajudar os casamentos", em casos excepcionais e "com o voto favorável prévio da conferência episcopal".

O texto lembra aos religiosos que as paróquias devem estar "sempre atentas às novas formas de pobreza" e reconhece que "o atual modelo paroquial não corresponde mais adequadamente às muitas expectativas dos fiéis".

O Vaticano, como solicitado pelo papa Francisco desde que foi ungido em 2013 no trono de Pedro, pede "uma mudança significativa de pensamento" que envolve "ler os sinais dos tempos".

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