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Alemanha disposta a trabalhar com Biden e virar a página de Trump

7.jul.2017 - Merkel não fez a menor alusão, em uma declaração solene sobre as presidenciais nos Estados Unidos, ao presidente republicano de saída - Philippe Wojazer/ Reuters
7.jul.2017 - Merkel não fez a menor alusão, em uma declaração solene sobre as presidenciais nos Estados Unidos, ao presidente republicano de saída Imagem: Philippe Wojazer/ Reuters

Em Berlim

09/11/2020 14h00

A Alemanha, um país que Donald Trump fez de bode expiatório por suas divergências econômicas e de defesa com a Europa, quer virar rapidamente a página para esse período e se concentrar na cooperação com o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.

A chanceler alemã, Angela Merkel, não fez a menor alusão, em uma declaração solene hoje sobre as presidenciais nos Estados Unidos, ao presidente republicano de saída.

Merkel, que coincidirá com seu quarto presidente dos Estados Unidos desde que chegou ao poder em 2005, preferiu saudar a eleição do candidato democrata, "um homem de experiência" que "conhece bem a Alemanha e a Europa".

Ela acrescentou que seu país está disposto a enfrentar "lado a lado" com os Estados Unidos e o presidente eleito Joe Biden "problemas globais" como as mudanças climáticas e a pandemia do coronavírus.

Merkel, a primeira mulher a tomar as rédeas da Alemanha, também comemorou que a vice-presidência é ocupada por Kamala Harris, filha de pai jamaicano e mãe indiana, uma "fonte de inspiração para muitos, um exemplo das possibilidades dos Estados Unidos".

Alívio

Para Merkel, que deixa o poder em 2021, como para toda a classe política alemã - exceto para o partido de extrema direita AfD - a página de Trump foi virada com alívio.

Nunca houve simpatia entre a ex-cientista da RDA e o milionário de Nova York, que não hesitou em criticar o que classificou de decisão "tola" de hospedar migrantes em 2015.

Trump recentemente acusou a China, o Irã e a Alemanha de quererem "se livrar" dele. E em quatro anos de mandato, ele nunca visitou a principal potência econômica europeia, apesar de ser uma sólida aliada dos Estados Unidos desde 1945.

Apesar de suas origens alemãs distantes, Trump fez da Alemanha um de seus bodes expiatórios desde 2016, acusando o país de vender muitos carros nos Estados Unidos ou de não participar o suficiente dos gastos militares.

Em julho, Trump decidiu, sem acordo, retirar 12 mil soldados americanos da Alemanha, mesmo correndo o risco de colocar cidades como Stuttgart, onde as estruturas de comando para a Europa e África estão em dificuldades financeiras.

"Estamos cansados de ser tolos: reduzimos nossas forças porque eles não pagam", disse Trump.

"Em termos de estilo e conteúdo, Biden será um presidente diferente, muito mais europeu", comenta o canal público ARD, aludindo à vontade do presidente eleito de voltar ao Acordo de Paris sobre o clima, ou de buscar canais diplomáticos sobre o acordo nuclear iraniano, abandonado unilateralmente por Trump.

"O tom será mais equilibrado e cooperativo", avaliou Ben Hodges, ex-comandante-chefe das tropas dos Estados Unidos estacionadas na Europa, ao jornal Der Spiegel.

Divergências

Apesar de tudo, haverá divergências, como o projeto do gasoduto Nord Stream 2 executado pela Alemanha e pela Rússia, que em 2018 rendeu a Merkel a acusação de Trump de ser "prisioneira da Rússia".

O Partido Democrata dos EUA também se opõe ao projeto Nord Stream 2, que pode competir na Europa com o gás natural dos EUA.

Diante da crise econômica causada pelo coronavírus, "Joe Biden seguirá a política de Donald Trump "EUA primeiro", embora o faça "de uma forma mais inteligente e menos radical", acredita o economista alemão Marcel Fratzscher.

Como sob as presidências de Barack Obama e Donald Trump, "a Europa não será tão central como costumava ser para os Estados Unidos", agora voltando-se para a Ásia ou para África, adverte o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung.

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