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Israel garante à França que leva caso de espionagem "a sério"

Celular do presidente francês Emmanuel Macron teria sido espionado por software - Sora Shimazaki/ Pexels
Celular do presidente francês Emmanuel Macron teria sido espionado por software Imagem: Sora Shimazaki/ Pexels

28/07/2021 20h34

O ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, garantiu hoje à homóloga francesa, Florence Parly, que seu país leva "a sério" as acusações de espionagem contra o software israelense Pegasus, que teria sido usado contra o presidente francês, Emmanuel Macron.

Benny Gantz "falou sobre a questão da NSO (a empresa israelense de segurança cibernética que criou o Pegasus) e afirmou que Israel leva as alegações a sério", declarou o Ministério da Defesa israelense em um comunicado.

"Ele enfatizou que o Estado de Israel apenas concede autorizações de exportação de produtos cibernéticos aos Estados e apenas para combater o terrorismo ou o crime", acrescentou o órgão.

A ministra da Defesa francesa, que recebeu Gantz em Paris nesta tarde, "comunicou os esclarecimentos que a França espera, dos quais dependem a confiança e o respeito mútuo entre os nossos dois países", afirmou seu ministério.

Parly já havia indicado na terça-feira que aproveitaria esta reunião bilateral planejada há muito tempo para determinar "o que o governo israelense sabia sobre as atividades dos clientes da NSO" e quais dispositivos existem para "prevenir o uso futuro dessas ferramentas altamente invasivas".

O Pegasus, um software que permite infiltrar-se em sistemas de computador, está no centro de um escândalo de espionagem mundial desvendado em meados de julho por 17 veículos de comunicação.

O programa teria permitido espionar os números de telefone de pelo menos 180 jornalistas, 85 ativistas de direitos humanos e 14 chefes de Estado, incluindo o presidente francês, o que a NSO nega.

De acordo com os meios de comunicação franceses Le Monde e Radio France, alguns números de telefone de Emmanuel Macron, bem como do ex-primeiro-ministro Edouard Philippe e de 14 membros do governo francês, como o chefe da diplomacia, Jean-Yves Le Drian, apareceram "na lista de números selecionados por um serviço de segurança marroquino, um usuário da Pegasus, para uma possível invasão cibernética".

"Se esses fatos forem confirmados, iremos atrás de todas as consequências, mas primeiro temos que provar que são verdadeiros", declarou o porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, ao final do Conselho de Ministros, após especificar que as informações estão "sendo verificadas".

Acusada de prover ajuda a regimes autoritários, a NSO garante que seu software Pegasus serve apenas para obter informações sobre redes criminosas ou terroristas.

O Parlamento israelense criou uma comissão para investigar as alegações de "mau uso" do Pegasus por alguns Estados para espionar autoridades e personalidades.

Benny Gantz informou a Parly que "representantes oficiais visitaram os escritórios da NSO nesta quarta-feira", informou o Ministério da Defesa israelense, sem oferecer mais detalhes.

O ministro israelense também falou com a homóloga francesa sobre o dossiê nuclear iraniano e a "ameaça" regional que o Irã representa aos olhos de Israel. Ele também se reuniu com o chefe dos serviços franceses de inteligência estrangeira (DGSE), Bernard Emié.

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