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Sessão que abriu impeachment de presidente do Chile teve discurso de quase 15h

6.set.2021 - O presidente do Chile, Sebastián Piñera, antes de discursar no Palácio do Eliseu, sede da presidência da França - Gonzalo Fuentes/Reuters
6.set.2021 - O presidente do Chile, Sebastián Piñera, antes de discursar no Palácio do Eliseu, sede da presidência da França Imagem: Gonzalo Fuentes/Reuters

Da AFP

09/11/2021 05h59Atualizada em 09/11/2021 09h16

Com um discurso de quase 15 horas por parte do deputado socialista Jaime Naranjo, a Câmara dos Deputados do Chile abriu a sessão que terminou com a abertura do pedido de impeachment contra o presidente Sebastián Piñera, que prosseguia na madrugada desta terça-feira.

Naranjo, deputado de 70 anos, iniciou na manhã de segunda-feira a leitura de um discurso de 1.300 páginas que incluiu os fundamentos da acusação apresentada em 13 de outubro por todas as bancadas da oposição para destituir o presidente conservador, que está a apenas quatro meses de concluir seu segundo mandato (2018-2022).

Os opositores acusam o presidente Piñera por vínculos com a polêmica venda da mineradora Dominga nas Ilhas Virgens, um paraíso fiscal, revelada no escândalo 'Pandora Papers'. No fim de 2019, Piñera sofreu uma tentativa de acusação pela violenta repressão das manifestações contra a desigualdade, mas a iniciativa não prosperou.

"Nunca na história deste país um presidente da República no exercício do cargo havia sido acusado por duas coisas tão graves como ter violado os direitos humanos e ter comprometido a honra da nação, por isto eu espero que este plenário aprove a acusação", disse Naranjo após quase 15 horas de intervenção, às 1H30 da madrugada de terça-feira.

Após a participação de Naranjo, o advogado do presidente Piñera, Jorge Gálvez, apresentava sua argumentação para responder a acusação, o que poderia demorar várias horas.

Se a acusação contra o presidente for aprovada, o texto seguirá para o Senado, que definirá o futuro de Piñera.

O longo discurso de Naranjo provocou reações nas redes sociais e irritação da bancada de direita.

Naranjo fez sua intervenção de várias horas para permitir que o deputado Giorgio Jackson chegasse a tempo da votação. Jackson estava cumprindo quarentena por ter mantido contado com uma pessoa infectada com covid-19.

Depois de concluir o isolamento à meia-noite, Jackson saiu em seu carro de Santiago rumo a Valparaíso, onde fica o Congresso - uma distância de 120 quilômetros. Ao entrar no plenário, ele deu um forte abraço em Naranjo.

A presença de Jackson era crucial porque, embora as bancadas de esquerda tenham maioria na Câmara (83 deputados), sem ele teriam apenas 77 votos assegurados, um a menos que o necessário para aprovar o processo contra Piñera.

Jackson e outro parlamentar ficaram de fora da sessão na segunda-feira porque tiveram contato com o também deputado esquerdista e candidato à presidência Gabriel Boric, que contraiu covid-19 na semana passada e também não compareceu à Câmara.

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