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Biden chega ao Japão para reforçar alianças na Ásia

Depois de visitar a Coreia do Sul, outro grande aliado dos Estados Unidos na Ásia, Biden chegou à Base Aérea de Yokota, nos arredores de Tóquio - KIM HONG-JI/REUTERS
Depois de visitar a Coreia do Sul, outro grande aliado dos Estados Unidos na Ásia, Biden chegou à Base Aérea de Yokota, nos arredores de Tóquio Imagem: KIM HONG-JI/REUTERS

22/05/2022 11h47

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chegou neste domingo (22) ao Japão, segunda etapa de sua primeira viagem à Ásia no cargo atual e que tem como pano de fundo a ameaça norte-coreana, as ambições geopolíticas da China e a guerra na Ucrânia.

Depois de visitar a Coreia do Sul, outro grande aliado dos Estados Unidos na Ásia, Biden chegou à Base Aérea de Yokota, nos arredores de Tóquio, a oeste, pouco depois das 17h locais (5h em Brasília).

Na segunda-feira (23), reúne-se com o primeiro-ministro Fumio Kishida e com o imperador Naruhito. No dia seguinte, participará da cúpula do Quad, com os governantes de Austrália, Índia, Japão e Estados Unidos.

Também apresentará uma iniciativa de comércio regional, o Marco Econômico para a Prosperidade no Indo-Pacífico.

Biden aproveitou o momento para parabenizar Anthony Albanese, vencedor das eleições legislativas realizadas no sábado (21) na Austrália, e reforçou "o compromisso inabalável dos Estados Unidos com a aliança americano-australiana".

Ainda em Seul, pouco antes de partir para o Japão, Biden disse neste domingo que está "preparado" para um eventual teste nuclear por parte da Coreia do Norte. Reafirmou, contudo, sua abertura ao diálogo com uma mensagem singular ao líder Kim Jong-un.

"Estamos preparados para qualquer coisa que a Coreia do Norte possa fazer", garantiu Biden, dizendo que não está "preocupado" com os riscos de um novo teste de armas durante sua estada na região, sobre os quais foi advertido por funcionários americanos.

O teste nuclear não aconteceu durante a visita de Biden à Coreia do Sul, mas ainda pode se concretizar nos próximos dias, alerta o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan.

"Se a Coreia do Norte agir, estaremos preparados para responder. Se a Coreia do Norte não agir, tem uma oportunidade, como dissemos antes, de voltar à mesa", declarou Sullivan à imprensa neste domingo.

Ao ser questionado por um repórter sobre se tinha algo a dizer para Kim Jong-un, o presidente respondeu com uma mensagem lacônica: "Olá. Ponto final".

Com isso, o presidente americano indicou que Washington continua aberta ao diálogo com a Coreia do Norte, mesmo na ausência de reciprocidade. As conversas com Pyongyang estão paralisadas desde a fracassada cúpula de 2019 entre Kim e o então presidente dos EUA, Donald Trump.

Neutralizar 'ataque nuclear'

Em Seul, aonde chegou na sexta-feira (20), Biden se reuniu com o presidente recém-eleito, Yoon Suk-yeol, um conservador pró-americano que tomou posse no início de maio.

Os dois líderes falaram em intensificar "os exercícios militares conjuntos dentro e ao redor da península coreana", após destacarem a "ameaça crescente" da Coreia do Norte.

Yoon disse ter abordado com Biden se deveriam "desenvolver vários tipos de exercícios conjuntos em preparação para um ataque nuclear". Ressaltou ainda a necessidade de contar com "aviões de combate e mísseis, uma mudança em relação ao passado, quando pensávamos apenas na proteção nuclear como dissuasão".

Qualquer aumento de forças, ou expansão dos exercícios militares conjuntos EUA-Coreia do Sul, pode irritar Pyongyang, que vê estas manobras como ensaios para uma invasão.

A Inteligência sul-coreana advertiu que a Coreia do Norte concluiu os preparativos para um teste nuclear. Se acontecer, será o sétimo em sua história e o primeiro em cinco anos.

Democracia e autocracia

Para aumentar a incerteza, a Coreia do Norte, cuja população não está vacinada contra a covid-19, enfrenta um surto da pandemia no momento, com quase 2,6 milhões de casos e 67 mortes, segundo os últimos números oficiais.

Biden e Yoon ofereceram ajuda à Coreia do Norte para enfrentar esta crise sanitária.

Em um sinal das ambições dos Estados Unidos na região, Biden falou, em uma entrevista coletiva conjunta com Yoon, de uma "competição entre democracia e autocracia" no mundo, e que a região da Ásia-Pacífico é crucial nesta disputa.

"Conversamos extensivamente sobre a necessidade de ampliar isso, para além de Estados Unidos, Japão e Coreia, para incluir todo Pacífico, Pacífico Sul e Indo-Pacífico. Acho que esta é uma oportunidade", declarou.

A China é o principal rival dos Estados Unidos nessa luta geopolítica.

Antes de deixar a Coreia do Sul, Biden se reuniu com o presidente da Hyundai, Chung Eui-sun, para comemorar a decisão da gigante automobilística de investir US$ 5,5 bilhões em uma fábrica de carros elétricos no estado da Geórgia, no sul dos EUA.

Acompanhado do presidente anfitrião, também visitou soldados americanos e sul-coreanos estacionados neste país asiático - um sinal, segundo um funcionário de alto escalão da Casa Branca, da "natureza verdadeiramente integrada" da aliança econômica e militar de Washington e Seul.

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