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Abordagem da Guarda Civil Metropolitana foi equivocada, diz Haddad sobre menino morto

Menino morto por GCM - Paulo Saldaña/Folhapress - Paulo Saldaña/Folhapress
Carro atingido durante perseguição policial
Imagem: Paulo Saldaña/Folhapress

Em São Paulo

27/06/2016 09h35Atualizada em 27/06/2016 21h24

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou na manhã desta segunda-feira (27), em entrevista à Rádio Estadão, que foi equivocada a abordagem dos agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) que resultou na morte de um menino de 11 anos durante perseguição na Cidade Tiradentes, na zona leste da capital paulista.

O guarda responsável pelos disparos, Caio Muratori, foi autuado em flagrante por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), pagou fiança e vai responder as acusações em liberdade. É o segundo caso envolvendo perseguição e morte de uma criança neste mês na capital paulista.

Mais tarde, Haddad disse que a ação foi um "erro" e defendeu que o guarda civil deve andar armado para fazer proteção de bens municipais, e não policiamento.

Três guardas participaram da ocorrência. À Polícia Civil, eles afirmaram que foram avisados por dois homens em uma moto que um grupo de ladrões em um Chevette prata havia acabado de roubá-los. Os GCMs não anotaram os dados das vítimas, mas passaram a patrulhar a região para localizar os criminosos.

Os guardas logo localizaram o carro suspeito, que não teria obedecido à ordem de parada e, por isso, iniciou-se uma perseguição.

Conforme relataram posteriormente aos investigadores do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), os ocupantes do carro teriam atirado contra eles. Por isso Muratori atirou quatro vezes na direção do Chevette.

Os tiros acertaram o vidro traseiro e um dos pneus. O carro dos ladrões parou na rua Regresso Feliz, onde ocorria uma quermesse. Dois ocupantes desceram correndo. Mesmo perseguidos pelos guardas, eles conseguiram fugir.

Um policial militar aposentado que mora na frente do local onde os foragidos abandonaram o carro notou que uma criança estava no veículo - ferida. O menino de 11 anos foi levado a um pronto-socorro da região, onde morreu.

Para Haddad, o disparo por guardas civis ocorre em casos "excepcionais" e um tiro deve ser dado somente quando houver vidas em risco, do próprio agente ou de alguém próximo.

"O guarda civil anda armado para se proteger. Não é para fazer policiamento. A concepção do armamento para o guarda é para ele, como está protegendo um [bem] municipal, seja uma UBS [unidade básica de saúde], um hospital, um parque. Ele tem que se proteger", afirmou.

Segundo o prefeito, os protocolos da guarda que regulamentam o uso da arma não foram respeitados e a abordagem foi um "erro".

Haddad disse que será aberto processo administrativo disciplinar para fazer uma investigação "apurada" para "eventualmente responsabilizar" Muratori, que pode ser afastado e até expulso.