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No Rio, Horto foi rota de fuga do bando de Rogério 157

Constança Rezende

Rio

25/09/2017 17h29

Vinte homens armados de fuzis e com os rostos cobertos por panos saíram da mata no Horto, na zona sul do Rio, na madrugada do último sábado, 23. Foram denunciados pelo latido de cães e pelo alarido que faziam; pareciam cansados de uma longa caminhada. Eram integrantes do bando do traficante Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157. Fugiam do cerco que, cerca de doze horas antes, as Forças Armadas e a Polícia Militar iniciaram na Rocinha, na zona sul do Rio. Fora da mata, o percurso varia de 10 a 15 quilômetros, dependendo do caminho. Em meio às árvores, é mais difícil.

Segundo testemunhas relataram ao jornal O Estado de S. Paulo, eram 4h20 da manhã, quando os homens desceram ao local, uma pequena comunidade de casas pobres perto do fim da Rua Pacheco Leão. A mata próxima dá acesso às comunidades da Rocinha, Parque da Cidade e Vidigal. Descansaram por poucos minutos no largo que fica em frente às casas e repousaram no chão as armas que carregavam.

Aos moradores, acordados pelo barulho, pediram água e cigarros. Um dos criminosos pegou a bicicleta de um dos moradores e desceu até a Rua Jardim Botânico. Na via, abordou um taxista e mandou que retornasse ao Horto. O veículo subiu de volta. Alguns dos criminosos embarcaram no táxi, voltaram para a mata. O táxi, possivelmente, foi para a Rocinha.

Segundo relatos, policiais militares chegaram ao Horto duas horas depois da passagem do bando e entraram na mata em busca do grupo. Fizeram alguns disparos, mas não acharam ninguém. O incidente, porém, confirmou suspeitas de que o bairro, procurado nos fins de semana, sobretudo no verão, para passeios e banhos de cachoeira, foi rota de fuga de traficantes da Rocinha. Seu destino, possivelmente, foram favelas na região da Tijuca.

A Polícia Civil suspeita que Rogério 157 seria um dos criminosos que desceram no Horto e entraram no táxi sequestrado. A maioria dos integrantes do grupo estaria ali apenas para escoltá-lo. Os homens no táxi atacaram, de dentro do veículo, uma patrulha perto do acesso ao Túnel Zuzu Angel. Houve tiroteio, mas ninguém ficou ferido. Em seguida, o táxi se deparou com outro bloqueio perto da favela, mas os criminosos conseguiram fugir para dentro da comunidade.

Engenho

Na manhã desta segunda-feira, 25, a reportagem do Estado esteve no local, uma região silenciosa do Rio. O Solar da Imperatriz, que fica logo abaixo da comunidade, não abriu. O local, construído em 1750, tem sua origem associada ao mais antigo engenho de açúcar do Rio. Funciona como uma escola de pesquisas botânicas, ligada ao Jardim Botânico, segundo o site da instituição.

Segundo profissionais que trabalham na região, o fechamento do Solar foi medida de precaução. Seguranças não quiseram ficar na guarita da entrada, com medo de serem abordados por traficantes armados. A Polícia coletou as imagens das duas câmeras do museu que ficam voltadas para a rua.