Topo

Filhos da deputada Flordelis suspeitos de matar pastor devem ser transferidos para presídio

17.jun.2019 - A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) durante o enterro do marido - Wilton Junior/Estadão Conteúdo
17.jun.2019 - A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) durante o enterro do marido Imagem: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Roberta Jansen

No Rio

25/06/2019 11h26

Os dois filhos da deputada Flordelis (PSD-RJ) suspeitos de matar o pastor Anderson do Carmo devem ser transferidos ainda hoje para uma unidade prisional.

Flávio dos Santos, de 38 anos, que teria confessado ter disparado seis vezes contra o padrasto, e Lucas dos Santos, de 18 anos, que teria comprado a arma utilizada, estão presos desde a segunda-feira retrasada, dia 17, na carceragem da Delegacia de Homicídios (DH) de Niterói e São Gonçalo.

Os dois devem seguir para o Presídio Frederico Marques, em Benfica, na zona norte do Rio, onde funciona a triagem de presos. De lá, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) deverá definir uma outra unidade para abrigar os presos.

Os advogados de Flávio e Lucas afirmaram que eles estão sem condições mínimas de higiene e alimentação nas dependências da DH.

"Ficou acertado que os dois serão transferidos porque estão em condições insalubres", afirmou Anderson Rollemberg, defensor de Flávio.

Os advogados questionaram também as condições dos depoimentos prestados por seus clientes na DH. Rollemberg disse ontem que não houve confissão -- diferentemente do que a polícia e o Ministério Público tinham informado. E ainda que, se houver alguma confissão, ela teria sido colhida irregularmente, sem a presença de um advogado. O representante legal de Lucas seguiu o mesmo discurso.

"Em todos os depoimentos colhidos em sede policial não foi dada ao Lucas a garantia constitucional de ser assistido por um advogado", afirmou o defensor Flávio Crelier. "Ao mesmo tempo, ele sequer foi advertido do direito de permanecer em silêncio."

Ontem, a deputada Flordelis passou praticamente dez horas prestando depoimento sobre a morte do marido na DH de Niterói. Ela não conversou com a imprensa, nem na entrada e nem na saída. Mas marcou para a tarde de hoje uma entrevista coletiva.

Outras 24 pessoas que moravam, trabalhavam ou frequentavam a casa também prestaram depoimento na segunda.

Segundo a polícia, algumas dessas pessoas podem voltar a ser ouvidas ainda hoje. De acordo com as autoridades, todos as pessoas que estavam na casa na hora do crime estão sendo investigadas, inclusive a parlamentar. Elas querem agora estabelecer quantas pessoas participaram do assassinato e a motivação do crime.

Mais Cotidiano