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Conselho ligado à Igreja Católica responsabiliza governo Bolsonaro por morte de índios

O presidente Jair Bolsonaro - Sergio Lima/AFP/Getty Images
O presidente Jair Bolsonaro Imagem: Sergio Lima/AFP/Getty Images

Patrick Camporez

Em Brasília

09/12/2019 08h54

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Igreja Católica, emitiu ontem uma nota pública com duras críticas ao governo de Jair Bolsonaro, à Fundação Nacional do Índio (Funai) e ao Ministério da Justiça depois que a morte de um terceiro índio foi registrada no país em menos de 24 horas. Humberto Peixoto, do povo Tuyuca, do Amazonas, foi vítima de espancamento a pauladas na última segunda-feira, em Manaus, e veio a óbito neste sábado.

Peixoto trabalhava na Cáritas Arquidiocesana do Amazonas como catequista e a motivação do crime ainda é investigada. O Cimi responsabiliza diretamente Jair Bolsonaro e seu governo pelas mortes recentes de indígenas no País. "As autoridades do governo federal tem negado os direitos indígenas, incitado o preconceito e o ódio na população e acobertado a invasão dos territórios e a violência física contra os povos", diz trecho da nota.

Em outro trecho, o Conselho lembra que o ministro das Minas e Energia disse que estava preparando um Projeto de Lei para ser enviado ao Congresso com o objetivo de regulamentar a exploração de minérios e outras atividades da agropecuária nos territórios indígenas.

"Os direitos dos povos indígenas têm sido negociados e entregues à bancada ruralista, que já tem o controle das ações da Funai em Brasília e nas regiões. Nestes últimos dias, o atual presidente da Funai, Marcelo Xavier, determinou que todos os servidores sejam obrigados a solicitar sua autorização para prestar assistência às comunidades indígenas, além de proibir o deslocamento de servidores a terras indígenas não homologadas e registradas" diz trecho da nota.

Ainda segundo avaliação do Conselho, o Ministério da Justiça, ao qual a Funai é subordinada, "está omisso e o ministro Sérgio Moro se nega a receber os representantes indígenas que têm solicitado audiências para resolver pendências territoriais".

Neste sábado, um grupo de lideranças indígenas Guajajara retornava de uma reunião com a Funai e a Eletronorte quando foram atingidos por vários disparos de arma de fogo na BR-226, no município de Jenipapo dos Vieiras. Dois deles morreram no mesmo dia e outros dois ficaram gravemente feridos.

No dia 1º de novembro, outro líder indígena da região, Paulo Paulino Guajajara, foi assassinado dentro da TI Araribóia, também no Maranhão. Ele foi atacado por invasores durante uma emboscada.

Ouça o podcast Ficha Criminal com as histórias dos criminosos que marcaram época no Brasil.

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Cotidiano