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Carlos França: estamos tentando entender mudança dos EUA sobre quebra de patentes

Ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto Franco França, Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado - Leopoldo Silva/Agência Senado
Ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto Franco França, Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Imagem: Leopoldo Silva/Agência Senado

Célia Froufe

06/05/2021 13h15Atualizada em 06/05/2021 13h48

O ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto de Franco França, disse hoje que o governo brasileiro ainda está tentando entender a possível mudança de postura dos Estados Unidos em relação à proposta de quebra de patentes de vacinas contra o novo coronavírus na OMC (Organização Mundial de Comércio) e reafirmou que, até o momento, pelo menos, a posição do Brasil não se alterou sobre o tema.

França fez as declarações durante audiência na sessão na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.

"Ainda estamos tentando entender a mudança dos EUA sobre quebra de patentes, mas a posição do Brasil não mudou", disse.

Pressionado, o governo de Joe Biden decidiu apoiar a suspensão de direitos de propriedade intelectual sobre as vacinas contra a covid-19, uma ideia proposta por países como Índia e África do Sul no organismo multilateral - mas que já tem a adesão de mais de 100 nações - e que pode permitir a quebra de patente dos imunizantes.

A intenção é facilitar a transferência de tecnologia e possibilitar a produção das vacinas nos países que estão mais atrasados no processo de imunização.

"Essa é uma crise de saúde global e as circunstâncias extraordinárias da pandemia de covid-19 exigem medidas extraordinárias. O governo (Biden) acredita fortemente nas proteções de propriedade intelectual, mas em trabalho para acabar com essa pandemia apoia a suspensão dessas proteções para as vacinas contra covid-19", anunciou a representante comercial dos EUA, Katherine Tai.

O chanceler brasileiro disse que terá uma reunião com Tai amanhã justamente para entender a posição americana.

A proposta engloba renúncia a diferentes direitos de proteção intelectual, entre eles as patentes dos imunizantes. Ontem, o conselho-geral da OMC se reuniu para discutir o tema, que voltará a ser debatido nas próximas semanas.

França afirmou aos parlamentares hoje que, pelo menos por enquanto, o Brasil ainda é mais favorável à terceira via, uma proposta encabeçada por Chile e Canadá.

"A posição do governo não mudou", disse, argumentando que a avaliação é a de que o Brasil poderá ter mais ganho nessa área por meio da terceira via.

O chanceler também comentou que até então a proposta de quebra de patentes não tinha adesão de membros da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Hoje, porém, depois do anúncio americano, a União Europeia também sinalizou que pode mudar de posição.

Para o Brasil, conforme o ministro, essa proposta de quebra de patentes apenas tende a favorecer países que já são detentores de tecnologia. Mais cedo, na mesma comissão, ele havia dito que, mesmo com a ajuda dos laboratórios, era difícil reproduzir as vacinas em outros lugares.

"O Brasil não pode se afastar dos produtores de vacinas", disse o chanceler em uma última consideração, indicando que esta postura poderia deixar o país numa situação delicada em relação a contratos.

Os Estados Unidos são um país onde está localizado um grande parque da indústria farmacêutica.

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