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3 meses

Saúde nega certificado de vacinação para quem tomou 2ª dose diferente da 1ª

Comprovante de vacinação covid-19 - Tânia Rêgo/Agência Brasil
Comprovante de vacinação covid-19 Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Ítalo Lo Re

São Paulo

04/10/2021 08h00Atualizada em 04/10/2021 12h40

Pessoas que receberam imunização heteróloga contra a covid-19, ou seja, doses de marcas diferentes, têm relatado dificuldade para emitir o certificado de vacinação no ConecteSUS, aplicativo do Ministério da Saúde. Embora o protocolo federal preveja essa mistura de imunizantes, a pasta admite não fornecer o certificado para quem tomou doses de marcas distintas. O governo não explica o motivo da decisão.

Além de possibilitar viagens ao exterior, comprovar a vacinação tem se tornado rotina nas cidades brasileiras, que adotam diferentes modelos de passaporte sanitário. Ao menos 249 municípios criaram regras do tipo, recorrendo também ao certificado do ConecteSUS.

O documento teria de ser oferecido para quem recebeu AstraZeneca e Pfizer, já que a prática é recomendada por especialistas e está prevista em norma federal.

Mas não é isso que ocorre. Em nota, a pasta informou que o certificado do ConecteSUS é dado para quem concluiu o esquema vacinal com duas doses ou dose única. No entanto, completou que "para quem concluiu o esquema vacinal com doses de vacinas diferentes (intercambialidade das vacinas covid-19) não é permitido a emissão do certificado de vacinação" pelo aplicativo.

"Recebi a vacina heteróloga no Rio. Ambas as doses já estão corretamente lançadas no ConecteSUS, mas só a carteira de vacinação é emitida. O certificado de vacinação, aquele que tem tradução para inglês e espanhol, não aparece disponível", explica a economista Katia Freitas, 42.

Ela foi vacinada com a 1ª dose de AstraZeneca e a 2ª da Pfizer. Essa combinação tem sido adotada em várias regiões do país diante do baixo estoque de AstraZeneca.

"Estou um pouco preocupada com isso, pois tenho viagem internacional marcada para os próximos meses e sem o certificado em inglês não sei como comprovar a vacinação no país de destino, que não aceita documentos em português", acrescenta Katia. Para tentar resolver, abriu um chamado no próprio app, mas não teve resposta.

O caso é similar ao da jornalista Marilia Fonseca, 58, que diz ter aberto reclamação na ouvidoria do SUS. Mais de dois meses após tomar a 2ª dose da Pfizer no Rio, ainda não teve o problema resolvido.

"Não consigo emitir o certificado de vacinação no aplicativo, nem mesmo na página do ConecteSUS, simplesmente porque essa funcionalidade não está disponível para mim. Mesmo tendo as duas doses registradas", relata a jornalista, que está agora em Amsterdã.

"Só não tive problema por não portar certificado em inglês porque na véspera da viagem, dia 29, a França divulgou uma funcionalidade de emissão de passaporte da União Europeia", conta Marilia.

Passaporte da vacina no Rio e em São Paulo

Decreto do prefeito Eduardo Paes (PSD) exige a apresentação do certificado digital para ter acesso a estabelecimentos —além do comprovante obtido a partir do ConecteSUS, também é aceito o cartão de vacinação físico, entregue no momento da imunização.

Entre os estabelecimentos que exigem a comprovação, estão academias de ginástica, piscinas, clubes sociais, estádios, pontos turísticos, cinemas, teatros, museus, convenções e feiras comerciais (veja a lista completa).

Na cidade de São Paulo, o passaporte —o digital ou o físico— é necessário em eventos como shows, feiras, congressos e jogos, com público superior a 500 pessoas.

Apreensão às vésperas de viagem internacional

Em abril de 2020, a gestora ambiental Aline Duarte, 44, estava prestes a viajar para a França para comemorar os 20 anos de casamento, mas adiou os planos por causa da pandemia. A viagem foi reagendada para 20 de outubro deste ano.

Agora, mesmo tendo recebido vacinação heteróloga, Aline e o marido enfrentam novo problema: comprovar que estão completamente vacinados.

As segundas doses do casal, da Pfizer, não constam no ConecteSUS —foram aplicadas em 15 de setembro. "Como a Astrazeneca estava em falta no Rio, eu sabia da possibilidade de só ter a Pfizer. Pesquisei bem para ver se haveria restrições no exterior, mas percebi que muitos países europeus estavam adotando a intercambialidade."

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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