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1 mês

Pecuarista que pediu doações para Bolsonaro visitou o Planalto 11 vezes

Bruno Scheid, pecuarista de Ji-Paraná, em Rondônia, pretende disputar vaga na Câmara - Reprodução/Facebook
Bruno Scheid, pecuarista de Ji-Paraná, em Rondônia, pretende disputar vaga na Câmara Imagem: Reprodução/Facebook

17/05/2022 07h59Atualizada em 17/05/2022 08h01

Um dos líderes do grupo de representantes do agronegócio que tenta impulsionar a campanha à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), inclusive por meio de doações de dinheiro, o pecuarista Bruno Scheid esteve no Palácio do Planalto em 11 dias diferentes, entre setembro do ano passado e fevereiro deste ano, segundo dados da Presidência da República.

Em alguns desses dias, o pecuarista teve mais de um compromisso.

Como revelou o Estadão em março, Scheid fez parte de um movimento que pediu, em fevereiro, dinheiro a pecuaristas dispostos a apoiar a reeleição do presidente.

O grupo dizia falar em nome de Valdemar Costa Neto, presidente do partido de Bolsonaro, o PL. A iniciativa não foi bem-recebida por ruralistas, que não gostaram de ver o político envolvido na arrecadação.

Os registros do Planalto, obtidos pelo Estadão por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação), mostram que Scheid frequentou diferentes repartições no palácio.

Nesse período, conforme ruralistas e pecuaristas consultados pela reportagem, ele tentava angariar apoios e contribuições em grupos de WhatsApp ligados ao setor, o que gerou protestos. Scheid nega.

Em março, Scheid foi prestigiado durante encontro de pecuaristas com Bolsonaro. Sentou-se ao lado do presidente e de ministros. O pecuarista discursou com destaque.

A reunião, sem pauta específica, segundo o próprio Scheid informou ao Estadão, ocorreu fora da agenda oficial - não houve divulgação prévia.

Participaram da audiência pecuaristas que se declararam dispostos a doar dinheiro para a futura campanha do presidente.

Acesso

Nos meses anteriores, Scheid circulou por várias áreas do Planalto. Passou pelas salas da Assessoria Especial, pelo Gabinete Adjunto de Agenda e pelo Gabinete Pessoal, todos no 3º andar, onde Bolsonaro despacha; pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional), no 4º andar; e pela Secretaria Especial de Comunicação Social, no 2º andar.

Em um registro de rede social, Scheid postou foto ao lado do general Augusto Heleno, ministro do GSI. O órgão é o segundo destino mais frequente de Scheid, atrás apenas das dependências ligadas ao próprio Bolsonaro.

O nome do pecuarista rondoniense aparece apenas três vezes nas agendas da Presidência.

Com base em Ji-Paraná (RO), Scheid ascendeu como líder informal em um grupo de agronegócio bolsonarista e ganhou interlocução com nomes fortes da campanha, como Valdemar Costa Neto e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Scheid se filiou ao PL e pretende disputar vaga na Câmara.

Ele tem feito campanha aliado ao senador Marcos Rogério (PL-RO), pré-candidato ao governo de Rondônia. Nas redes, Scheid também posta fotos com Flávio e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), do Rio de Janeiro.

Em fevereiro, viajou com a comitiva no avião presidencial de Brasília a Porto Velho (RO). Procurado, o pecuarista não respondeu.

Legislação

Segundo especialistas em Direito Eleitoral, são comuns pedidos de recursos antes da oficialização da candidatura, desde que o postulante deixe acertado para que a contribuição seja efetivamente feita no período eleitoral.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) permite arrecadação coletiva, a partir de maio, por meio de sites de vaquinha. Os candidatos, no entanto, só recebem os recursos se a candidatura for confirmada.

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.