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Novo papa não tinha ligação com a ditadura argentina, diz prêmio Nobel

Em Londres

14/03/2013 17h47

O ativista argentino dos direitos humanos Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz 1980, negou que seu compatriota, o cardeal Jorge Bergolglio, agora papa Francisco, tenha tido vínculos com o regime militar que governou a Argentina entre 1976 e 1983, como destacam alguns críticos do novo Pontífice.

"Houve bispos que foram cúmplices da ditadura, mas Bergoglio não", declarou Pérez Esquivel para a BBC Mundo.

"Bergoglio é questionado porque se diz que não fez o necessário para tirar da prisão dois sacerdotes, sendo ele era o superior da congregação dos Jesuítas", acrescentou ele. "Mas eu sei pessoalmente que muitos bispos pediam à junta militar a liberação de prisioneiros e sacerdotes e não lhe era concedida", afirmou o Prêmio Nobel.

A imprensa britânica mencionou que as informações contra Bergoglio, pela sua relação com o governo inicialmente liderado pelo general Jorge Videla "ficaram mais fortes quando o jornal argentino Página 12 publicou em 2010 um relatório na qual ele era acusado de colaborar com as autoridades da época".

"O jornalista Horacio Verbitsky recolheu testemunhos de pessoas que asseguraram que, enquanto era superior da congregação dos jesuítas na Argentina, Bergoglio tinha retirado sua proteção a dois sacerdotes de sua ordem que realizavam trabalhos sociais em bairros marginais", destacou a BBC.

Os dois religiosos --Orlando Yorio e Francisco Jalics-- "foram detidos em maio de 1976 e ficaram presos durante cinco meses na Escola Mecânica da Armada (ESMA) até que foram libertados", disse a imprensa britânica.(ANSA)

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