Grécia sobe tom em discussão sobre refugiados diz que país não será "armazém de almas"

Em Bruxelas

  • Aris Messinis/AFP

O governo da Grécia aumentou o tom nesta quinta-feira (25) e afirmou que seu país não tolerará "ações unilaterais" na gestão da crise imigratória na União Europeia.   

"A Grécia não aceitará ações unilaterais. Também nós podemos fazê-las. Não aceitaremos nos tornar o Líbano da Europa e nos tornarmos um armazém de almas, mesmo que isso signifique um aumento nos fundos", afirmou o vice-ministro para Imigração, Ioannis Mouzalas, ao chegar a um encontro em Bruxelas.   

Para mostrar que está disposta a encarar a briga de frente, especialmente com os países que formam o grupo Viségraad (V4) - Hungria, Polônia, República Tcheca e Eslováquia - a Grécia convocou seu embaixador na Áustria como foma de protesto por não ter sido convidada para uma reunião sobre imigração em Viena. No encontro, estarão os países do V4 mais os austríacos.   

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que tomou a atitude "para salvaguardar as relações de amizade entre os Estados e os povos da Grécia e da Áustria". As nações balcãs acusam os gregos de não gerir corretamente a chegada de estrangeiros e, para resolver a situação, ergueram muros próximos às fronteiras.   

Só hoje, mais de mil pessoas saíram do campo de refugiados de Diavata e estão caminhando até a fronteira grega com a Macedônia - aliada do V4. Ali, como nos outros Estados, há uma restrição no fluxo de entrada de estrangeiros, o que acaba deixando os gregos sozinhos para lidar com tantos deslocados.   

Apesar da "briga" com os países dos Balcãs, a Grécia pode contar, ao menos, com o apoio explícito da Itália e da França. O chanceler italiano, Paolo Gentiloni, telefonou para seu homólogo grego, Nikos Kotzias, e ofereceu ajuda.   

"A Itália considera perigosa as iniciativas unilaterais no tema de imigração e não concorda com as posições que miram a atribuir a um único país, a Grécia, a responsabilidade de lidar com a crise imigratória", disse Gentiloni após a conversa. Segundo o ministro, "o empenho de todos é necessário", mas que o clima de divisão no bloco não é o adequado.   

Quem também defendeu os gregos foi o ministro italiano do Interior, Angelino Alfano, que afirmou que a "construção de muros só geram ilusões".   

"O país que põe muros, por um momento, supera o problema. Mas, ao fim, o sistema entrará em colapso e o problema ficará ao encargo de todos. Melhor pensar antes e organizar o sistema de realocamentos", destacou.   

Alfano ainda lembrou que a Europa já definiu como a crise imigratória deve ser enfrentada, mas que alguns países não estão querendo ou podendo implementar.   

A França também se manifestou favoravelmente aos gregos e pediu "humanidade e responsabilidade" para "não criar políticas que coloquem a Grécia em dificuldade", destacou o ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve.   

Os 28 ministros do Interior da União Europeia estão em Bruxelas para debater, mais uma vez, como lidar com a situação dos imigrantes que chegam diariamente ao continente.   

- Berlim estima 3,5 milhões de refugiados em 2020: O governo alemão, que ao lado da Áustria é quem mais recebe pedidos de asilo, espera receber um total de 3,5 milhões de refugiados até 2020, revelou o jornal "Sueddeutsche Zeitung" citando previsões do Ministério da Economia.   

Segundo os cálculos, a Alemanha receberá, em média, 500 mil deslocados por ano entre 2016 e 2020. O número aponta uma queda pela metade na comparação com os dados de 2015, quando o país recebeu mais de um milhão de estrangeiros.   

Confirmando os dados do periódico, o Ministério informou que os "dados são hipóteses puramente técnicas" elaboradas para discussões no interior de diversos órgãos governamentais. 

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