Com crise regional, cúpula do Mercosul é cancelada

Em Montevidéu

  • Marco Bello/Reuters

    Seria a vez da Venezuela assumir a presidência pro tempore do Mercosul, mas não há consenso

    Seria a vez da Venezuela assumir a presidência pro tempore do Mercosul, mas não há consenso

Diante do tenso clima político na região, com crises em Brasil e Venezuela, a Cúpula de Presidentes Mercosul, que estava marcada para julho, foi cancelada, informou o chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa.

Em vez disso, será realizada apenas uma reunião formal dos chanceleres dos países que formam o bloco econômico em Montevidéu, Uruguai. Na ocasião, será debatida a passagem da Presidência pro tempore do Mercosul do Uruguai para a Venezuela, o que desagrada os diplomatas do Paraguai.

O ministro de Relações Exteriores paraguaio, Eladio Loizaga, disse no final de maio querer debater a aplicação do Protocolo de Ushuaia, que prevê a suspensão de um país do bloco caso exista ruptura diplomática, como acusa a oposição venezuelana.

O próprio Paraguai foi suspenso após o afastamento do então presidente Fernando Lugo em 2012. Com a ausência do país, os demais aprovaram a entrada de Caracas, travada pelo Senado paraguaio na época.

Segundo o jornal argentino "La Nación", citando fontes da diplomacia local, Brasil, Argentina e Paraguai temem que a liderança da Venezuela distancie ainda mais a concretização de um acordo de livre comércio com a União Europeia (UE).

O governo interino de Michel Temer no Brasil também não é consenso dentro do bloco e os demais membros do grupo se preocupam com a instável situação política do país, o que fez com que autoridades do Mercosul optassem pela postergação do encontro após uma intensa jornada de negociações.

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