Missa de Papa para vítimas de Nice gera polêmica na França

PARIS, 23 SET (ANSA) - A missa que será realizada pelo papa Francisco neste sábado, dia 24, em homenagem às vítimas do atentado de Nice, no qual 86 pessoas morreram no último dia 14 de julho, tornou-se polêmica na França.   

De acordo com o ONG de defesa dos direitos humanos dos franceses Ligue des Droits de l'Homme (LDH, Liga dos Direitos do Homem), a iniciativa do Pontífice "viola o princípio de laicidade" da França, ou seja, a ideia de que nenhuma religião pode exercer uma influência sobre o Estado, que deve ser neutro.   

Para a organização, a cerimônia viola "vergonhosamente" o princípio o qual rege o país já que ele não deve financiar cultos religiosos de qualquer tipo e, neste caso, o transporte de amigos e familiares das vítimas do ataque da França para o Vaticano será financiado em grande parte por dinheiro público francês.   

"Já que as vítimas são de várias religiões devemos então esperar que financiem rapidamente uma peregrinação a Jerusalém, Meca e Varanasi [na Índia]?", indagou a ONG.   

Mas não é apenas essa instituição que critica a missa. A conselheira municipal de Nice, Juliette Chesnel-Le Roux define a viagem uma "provocação" já que "entre as vítimas do terrorista estão muçulmanos, judeus, protestantes, budistas e ateus".   

Para as pessoas que participarão da missa, entre sobreviventes e familiares de vítimas, dois aviões da companhia francesa Air France com destino a Roma foram colocados à disponibilização.   

Outras pessoas que quiserem comparecer à cerimônia poderão pagar uma pequena tarifa para viajar em um dos três ônibus reservados para ocasião. Além disso, o prefeito de Nice, Christian Estrosi, que fará parte da delegação que irá para o Vaticano, decidiu dar 300 euros para todos os familiares. Segundo ele, a missa não tem um caráter religioso cristão, mas sim o de representar todos credos.   

Na noite 14 de julho deste ano, um homem de origens tunisianas chamado Mohamed Lahouaiej Bouhlel começou a atropelar uma multidão de uma movimentada região da cidade francesa, que na data estava mais cheia que de costume devido ao Dia da Bastilha, em um caminhão repleto de armamentos. As vítimas fatais ficaram em 86 mortes. (ANSA)
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