Em meio a caos político, Raggi pede 'pacto' por Roma

ROMA, 27 SET (ANSA) - Após anunciar a desistência de Roma da candidatura para ser sede das Olimpíadas de 2024 e enfrentar uma demissão em massa, a prefeita da capital italiana, Virginia Raggi, propôs um "pacto" para aplicar o dinheiro do evento em obras em Roma.   

"Como ocorreu em Milão, não vejo o porque do governo não possa criar um pacto por Roma, utilizando aquelas economias feitas para a candidatura dos Jogos Olímpicos. Eram fundos que o governo teria enviado em caso de candidatura, imagino, e que continua querendo financiar também no caso da desistência", disse Raggi alfinetando o primeiro-ministro Matteo Renzi, que afirmou que a "cidade eterna" perdeu uma oportunidade.   

A prefeita, que foi a Senado defender seu "não" aos Jogos, afirmou que "não há sustentabilidade nos gastos" de uma sede olímpica e que a decisão de seu partido, o Movimento Cinco Estrelas (M5S), não foi causada por corrupção.   

"Nos últimos dias, nos acusam de dizer "não" por causa de uma suposta corrupção. Isso não foi sequer levado em consideração.   

Na questão olímpica, não podemos permitir um novo endividamento de Roma", acrescentou.   

"Há a saúde que está indo progressivamente para a privatização e devemos nos endividar para hospedar uma manifestação da qual poucos serão beneficiados?", questionou ainda Raggi voltando a dizer que seria "irresponsável" dizer "sim".   

- Crise política: Porém, mesmo defendendo seu partido e seu "não" aos Jogos, Raggi segue tendo dificuldades para seguir adiante com seu governo. Hoje, mais um possível candidato à ser assessor de Finanças da Prefeitura, o economista Salvatore Tutino, desistiu da função.   

"Desisto porque estou há 20 dias em 'banho maria' e saio por causa do clima ao interior do partido que deveria apoiar o governo de Roma. O primeiro que se levanta, já bate e, mesmo pessoas bem intencionadas e sérias como Raggi, se não são colocadas nas melhores condições, não podem fazer muito", disse à ANSA.   

Com uma estrutura diferente dos partidos tradicionais, o M5S faz com que os governos não sejam de uma única pessoa, mas sim de uma espécie de "junta". Raggi, por exemplo, não pode fazer uma escolha sem passar pela análise do partido, especialmente de seu líder, Beppe Grillo.   

No entanto, a vaga para o assessor de Finanças - o equivalente ao secretário de uma prefeitura no Brasil - está aberta desde a renúncia de Marcello Minenna no dia 2 de setembro. O antigo assessor anunciou sua demissão por não concordar com a maneira que a prefeita, e consequentemente, o M5S lidaram com a demissão pública da então chefe de Gabinete, Carla Ranieri.   

Naquele dia, cinco membros de seu governo renunciaram. Apesar de pregar sempre "transparência", Grillo usou as redes sociais para "orientar" que ninguém do partido comente sobre a situação de Roma "nos próximos dias". (ANSA)
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