Eleições na França podem dar força à extrema-direita na UE

SÃO PAULO, 16 DEZ (ANSA) - As eleições de 2017 na França serão mais um teste de força para a União Europeia. Isso porque a candidata de extrema-direita, Marine Le Pen, tem grande possibilidade de disputar, ao menos, o segundo turno do pleito, alcançando um feito inédito para o Frente Nacional (FN).   

Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Belas Artes, Sidney Ferreira, a situação aparenta levar Le Pen para a disputa final das eleições. No entanto, ele questiona o discurso da candidata entre os franceses porque "ela tem uma agenda que foge das tradições da política francesa".   

"Ela tem um forte discurso contra a imigração, ela defende o retorno da pena de morte, ela tem um discurso forte contra a União Europeia, contra os muçulmanos. Isso divide muito a opinião pública francesa. Um discurso mais iluminista, que segue mais a tradição francesa, ainda é maioria", disse o especialista à ANSA.   

Le Pen, que conseguiu afastar de vez seu pai e fundador do FN, Jean-Marie, da vida do partido, se lançou na campanha presidencial com um slogan bem populista: "Em nome do povo".   

Tal qual a campanha de Donald Trump nos Estados Unidos, ela se baseia em um maior fechamento de fronteiras e quer medidas protecionistas para a economia do país, que não consegue apresentar um crescimento relevante nos últimos oito anos.   

Soma-se a a esse cenário o fato da França ter sido palco de grandes atentados terroristas nos últimos dois anos - e o discurso de que os imigrantes são culpados por tudo isso aflorou. Le Pen ainda usa a tática de Trump ao atacar os grandes veículos de imprensa nacional, acusando-os de mentir, e consegue obter a simpatia de grande parte do eleitorado que se desiludiu com os "políticos tradicionais".   

Todo esse cenário aparenta levar à França a uma polarização já vista em outras grandes nações do mundo, como nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha.   

- Concorrentes: Para tentar combater o "fenômeno" Le Pen, os conservadores terão à sua frente o ex-primeiro-ministro François Fillon. Com um discurso similar ao de Le Pen na questão dos imigrantes, o político de 62 anos propôs medidas do conservadorismo clássico para a economia: corte de gastos e na quantidade de servidores públicos - além de ter como bandeiras reformas trabalhistas e de Previdência.   

Fillon, que conta com o apoio do ex-presidente Nicolás Sarkozy (a quem derrotou nas primárias), tenta buscar apoio também na extrema-direita que não se reconhece no FN e se diz um profundo admirador da ex-premier britânica Margaret Thatcher. Católico fervoroso, ainda busca votos ao defender o fim do aborto e da união civil entre pessoas do mesmo sexo.   

Já entre os socialistas, a situação ainda é um incógnita com o anúncio da desistência do atual presidente, François Hollande, de concorrer à reeleição. Até o momento, são nove os nomes que devem disputar as primárias marcadas para os dias 20 e 29 janeiro de 2017.   

Entre os favoritos, aparecem o ex-premier de Hollande, Manuel Valls, e o ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg.   

Valls, que é europeísta convicto, tem como principal sugestão a de fazer uma reforma constitucional na França, para evitar problemas como os que ocorreram em sua gestão com a reforma trabalhista. Apesar de aparecer, atualmente, em terceiro nas pesquisas de opinião, muitos apontam Valls como o único que pode fazer frente aos candidatos de direita e extrema-direita.   

Já Montebourg é um ferrenho crítico da política de Hollande e já cobrou, por diversas vezes, que a União Europeia "redefina" diversas regras para permitir que seus Estados-membros apresentem crescimento. No entanto, está longe de ser alguém contrário ao bloco econômico.   

Os demais concorrentes entre os socialistas são os ex-ministros Benoit Hamon e Vincent Peillon, além de François de Rugy, Jean-Luc Bennahmias, Gérard Filoche, Sylvia Pinel e Fabien Verdier.   

Correndo por fora e se declarando o concorrente "antissistema", está Emmanuel Macron. O político de 38 anos foi ministro da Economia do governo Hollande e concorrerá com uma candidatura independente. "Não sou de direita nem de esquerda. Nosso país acordará através da juventude e coloco a minha candidatura como sinal de esperança", afirmou ao lançar sua candidatura.   

Seja quem forem os candidatos à Presidência, a disputa promete ser acirrada. Isso porque, desde 1965, nunca houve um vencedor em primeiro turno no país. As eleições presidenciais ocorrem no dia 23 de abril e o segundo turno no dia 7 de maio. (ANSA)
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