2016, O ano que em que o ultranacionalismo se proliferou

SÃO PAULO, 27 DEZ (ANSA) - Por Tatiana Girardi - O ano de 2016 foi marcado por um fortalecimento dos movimentos nacionalistas e ultranacionalistas, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, situação que colocou os líderes mundiais em alerta para o que pode estar por vir em 2017. Na Europa, a crise migratória aliada àquela econômica deram força aos partidos extremos - seja de direita ou de esquerda - e estão ameaçando a continuidade do projeto da União Europeia. Já nos Estados Unidos, a vitória inesperada do magnata Donald Trump impulsionou grupos de supremacia branca e contrários a imigrantes.   

"Cenários de crise econômica são cenários que estimulam a polarização política. A história contemporânea tem mostrado isso. Nos dois cenários que levaram à Primeira e à Segunda Guerra Mundial, nós tivemos também desajustes econômicos. E agora nesta crise, que na verdade é uma crise econômica que se prolongou pelo menos desde 2007, 2008, sem dúvida, cria um ambiente favorável para o fortalecimento dos extremos no campo da política", afirma à ANSA Sidney Ferreira Leite, professor de Relações Internacionais da Faculdade de Belas Artes.   

Já Rogerio Baptistini, professor de Sociologia e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, concorda que a "crise econômica é a principal causa" desse avanço, mas aponta para outros cenários.   

"Esse avanço, em um primeiro olhar, ele aparenta ser uma aversão à globalização porque as pessoas que têm apoiado as propostas nacionalistas, elas apoiam propostas baseadas em fechamento de fronteiras, propostas marcadas por proteção aos empregos locais e propostas estas que são transmitidas por lideranças populistas e demogógicas e até totalitárias", acrecenta à ANSA.   

Com seu discurso nacionalista e o slogan "Fazer a América Grande Novamente", Trump angariou votos prometendo construir muro na fronteira com o México, perseguir os imigrantes ilegais e adotar medidas protecionistas no comércio. Mas, os especialistas acreditam que isso não será levado adiante conforme o programa eleitoral afirmava. "Sem dúvida, a agenda que ele propôs durante a sua campanha, dificilmente ele colocará em prática no seu governo. Até por conta de serem algumas propostas absolutamente distantes da realidade, como por exemplo construir um muro separando os Estados Unidos do México, um fechamento comercial do porte que ele propõe, sobretaxar os produtos... isso torna aquela agenda absolutamente inexequível", diz Ferreira Leite.   

Para Baptistini, a campanha do Trump vai de encontro com o anseio "de muitos cidadãos, que foram prejudicados pela crise econômica, mas as promessas são impossíveis porque a globalização é irreversível". O cenário do ultranacionalismo na Europa é mais complicado que o dos Estados Unidos, já que o avanço do ultranacionalismo ocorreu em mais de um país e pode se consolidar no pleito presidencial da França em 2017. Segundo Baptistini, a ideia da União Europeia no que vem vem "depende muito da chanceler alemã, Angela Merkel, que é uma âncora estável".   

Para Ferreira Leite, o cenário para 2017 é de pessimismo. "Os polítcos populistas e os movimentos populistas à esquerda e à direita têm se aproveitado deste sentimento dos locais motivados pela crise para afirmar coisas que são, em certo sentido, contraproducentes, como o fechamento de fronteiras, medidas protecionistas.. e essa é a plataforma que elegeu o Trump".   

(ANSA)
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