Hóspedes de hotel soterrado na Itália estavam para ir embora

PESCARA, 19 JAN (ANSA) - A Procuradoria de Pescara, no centro da Itália, abriu nesta quinta-feira (19) uma investigação por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) sobre a avalanche que destruiu o hotel Rigopiano, em Farindola, e deixou pelo menos três mortos e cerca de 30 desaparecidos.   

O objetivo do promotor Andrea Papalia é apurar eventuais responsabilidades na tragédia, que provavelmente foi causada pela série de terremotos que sacudiu as regiões de Lazio, Abruzzo e Marcas na última quarta (18).   

Os tremores aconteceram em meio a uma das mais intensas ondas de frio dos últimos anos no centro da Itália, e muitas das cidades atingidas estavam cobertas de neve. Assim como a montanhosa Farindola, que abriga o hotel Rigopiano, a 1,2 mil metros de altitude.   

A investigação foi delegada ao Corpo Florestal da Arma dos Carabineiros, que já está coletando documentos e depoimentos.   

Entre os arquivos levantados pelos policiais, está um alerta de avalanche emitido dias atrás pelo Meteomont, o serviço nacional de prevenção contra deslizamentos de neve.   

O aviso indicava um risco de nível 4 - o máximo é 5 - na zona do maciço de Gran Sasso, onde ficava o hotel. A Procuradoria de Pescara, província onde se situa Farindola, quer descobrir se o perigo de avalanche foi subestimado e se havia condições para as autoridades municipais e regionais ordenarem a evacuação do local.   

Outro ponto a ser investigado é a possibilidade de que o atraso no envio de um limpa-neve tenha contribuído para o tamanho da tragédia. Parentes e amigos de sobreviventes e pessoas soterradas relataram que os hóspedes do Rigopiano já haviam feito checkout e aguardavam apenas a chegada de um veículo para desobstruir a estrada.   

"Disseram a ele que chegaria às 15h [horário local], mas a chegada foi adiada para 19h. Já tinham até feito as malas, todos os clientes queriam ir embora", relata Quintino Marcella, chefe de Giampiero Parete, que escapou da avalanche por ter ido pegar um objeto em seu carro. Sua esposa e seus dois filhos foram soterrados.   

"Trocamos mensagens no WhatsApp, ele me escreveu que estavam para partir, mas houve atrasos por causa da neve. Havia 10 carros em fila esperando a liberação da estrada", disse à ANSA Fulvio Vagnarelli, irmão de Marco Vagnarelli, um dos hóspedes desaparecidos.   

Se o limpa-neve tivesse chegado às 15, os turistas teriam conseguido sair do Rigopiano antes do deslizamento. (ANSA)
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