Em clima tenso,Equador se prepara para eleger novo presidente

QUITO E SÃO PAULO, 30 MAR (ANSA) - O Equador se prepara para ter um novo presidente no país após os 10 anos de governo de Rafael Corrêa em um clima tenso e de divisão, visto em quase todas as nações sul-americanas em seus pleitos recentes.   

Cerca de 12,8 milhões de eleitores irão às urnas neste domingo (2) para escolher entre duas opções: de um lado, o candidato do governo, Lenín Moreno, promete continuar com a maior parte das políticas de Correa, mais focadas no social e na forte presença do Estado, enquanto do outro está o banqueiro Guillermo Lasso.   

No entanto, as eleições do próximo domingo já estão em um clima tenso.   

Lasso acusou um grupo Aliança País, que apoia Correa, de agredi-lo no estádio de Atahualpa, em Quito, quando ele saía do local ao lado da esposa após assistir a partida das Eliminatórias entre Equador e Colômbia. Segundo o candidato, "eles nos atacaram com bastões e garrafas, nos ameaçando também com facas".   

Para deixar o local, a polícia fez um cordão de proteção, mas Lasso ouviu gritos de protesto contra ele. Após a divulgação da notícia do incidente, Lenín usou as redes sociais para se manifestar sobre o caso.   

"Nenhuma expressão de intolerância é aceitável, venha de onde vier. Rechaçamos os atos de violência na saída do Atahualpa", postou em seu Twitter.   

- Pesquisa Apesar de Lasso acreditar e pregar que fará uma grande reviravolta no cenário das pesquisas, como ocorreu nas últimas três vezes que o país encarou um segundo turno, as últimas sondagens mostram que o desafiante do governo não conseguiu impactar os eleitores.   

De acordo com a última pesquisa, Lenín caiu de 53,2% para 52,1% das intenções de voto, mas Lasso não conseguiu aproveitar essa queda, ficando em estáveis 47,9% das intenções. Analistas apontam que o discurso anti-Correa do opositor, atrelado a falta de carisma do banqueiro, não conseguem atrair a simpatia em números suficientes para vencer o pleito.   

- Futuro: Seja quem for o vencedor da disputa, ele encontrará um país em um momento de crise econômica e com a ameaça de que as revelações do escândalo de corrupção da Odebrecht possa causar também uma crise política.   

Apesar de estar melhor que seus vizinhos sul-americanos nas questões econômicas, o novo presidente precisará tomar medidas de estímulos à indústria e à geração de empregos de maneira rápida. Lasso prometeu que, se eleito, convocará uma Assembleia Constituinte para "desmantelar" as "medidas socialistas" Já no caso da Odebrecht, que reconheceu ter pago propinas de cerca de US$ 335 milhões às autoridades do país entre 2007 e 2016, as posturas são diferentes. Enquanto o governista promete investigar o caso, Lasso prometeu revelar todos os documentos e os envolvidos no escândalo.   

No entanto, o opositor terá uma situação complicada de poder caso vença o pleito: a falta de força no Parlamento. Após as eleições, os políticos eleitos ligados ao governo representam 74 dos 137 assentos da Casa, enquanto o CREO, movimento de Lasso, tem apenas 34. Com isso, seus projetos "contra Correa" podem ser derrotados facilmente, complicando a aplicação de suas ideias. (ANSA)
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