Com polêmicas, Trump completa 100 dias de governo

SÃO PAULO, 29 ABR (ANSA) - Por Luciana Ribeiro - Era 20 de janeiro de 2017 quando o 45º presidente dos Estados Unidos, o magnata Donald Trump, tomou posse da maior potência mundial com uma série de desafios para enfrentar. Neste sábado (29), o republicano completa 100 dias à frente do governo norte-americano com um currículo repleto de atitudes polêmicas e baixa popularidade.   

"O governo Trump está sofrendo um choque de realidade porque as instituições construídas ao longo da história dos Estados Unidos funcionam como freios à vontade de um governante", enfatizou Arnaldo Francisco Cardoso, professor especialista em relações internacionais da Universidade Mackenzie, à ANSA.   

Desde que venceu às eleições à Casa Branca, em 8 de novembro, Trump havia prometido mudanças drásticas na política externa do país, como uma reaproximação com a Rússia, uma renegociação comercial com a China, uma forte oposição aos acordos climáticos e uma política imigratória restritiva.   

Além disso, o magnata decidiu ter uma relação mais áspera com a China, retirar o país da Parceria Transpacífica (TPP) e renegociar o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) entre México, Estados Unidos e Canadá, em vigor desde 1994.   

Já nos primeiros dias de mandato, Trump transformou a imprensa em adversária e afirmou que a mídia norte-americana é "falsa e inimiga do povo" se referindo ao fato de que os veículos nunca consideraram que ele fosse eleito.   

Logo depois, colocou em prática uma de suas principais bandeiras levantadas ao longo de sua campanha eleitoral ao proibir a entrada de cidadãos de sete países islâmicos aos Estados Unidos.   

Na ocasião, o decreto causou um caos no país e no mundo, onde aconteceram diversos protestos. Porém, a Justiça suspendeu a medida.   

Segundo Cardoso, "no que tange à imigração, Trump não alcançou seu objetivo" e isso se deve muito porque em uma "democracia como a norte-americana, a imprensa, os tribunais e o próprio congresso" balanceiam as atitudes do presidente.   

No entanto, o republicano ainda chegou a definir regras mais rígidas para imigrantes irregulares e deliberou mais poder aos agentes migratórios para deportações. Entretanto, a promessa de construir um muro na fronteira com o México ainda é um impasse.   

"Isso se deve ao fato de que as oportunidades de emprego geradas pelo deslocamento de investimento norte-americano no território mexicano não foram suficientes para promover um desenvolvimento no México que mantivesse os mexicanos satisfeitos em seu território natal", explicou o especialista à ANSA.   

Desde que o republicano venceu às eleições, diversas empresas reviram seus planos de construir novas fábricas no exterior e anunciaram investimentos nos Estados Unidos.   

Em contrapartida, o governo do magnata falhou ao tentar cumprir uma de suas promessas que mais agradava os ultraconservadores de sua aliança política: decretar o fim do "Obamacare", uma espécie de sistema público de saúde implantado pelo governo do democrata Barack Obama.   

Além disso, o projeto "Trumpcare" para reformar o sistema não avançou no Congresso, apesar dos republicanos serem a maioria nas duas câmaras do Capitólio.   

Em nome do crescimento econômico, o sucessor de Obama desfez políticas ambientais que entraram em vigor na gestão passada, o que faz o país descumprir o acordo sobre mudanças climáticas firmado em Paris. Para ele, o aquecimento global não passa de uma farsa.   

Na política externa, Trump ensaiou uma aproximação com a Rússia e foi alvo de uma investigação do FBI sobre uma possível interferência do país nas eleições norte-americanas do ano passado para favorecê-lo. A invasão hacker teria sido a responsável pela derrota da democrata Hillary Clinton após o vazamento de seus e-mails privados.   

Apesar da suposta parceria com o presidente russo, Vladimir Putin, o mandatário norte-americano decidiu atacar uma base na Síria, aliada da Rússia, como resposta a um ataque químico que matou mais de 70 pessoas. No Oriente Médio, ele aproximou Washington ainda mais de Israel, que declarou apoio ao ataque à Síria. Por sua vez, Trump iniciou oficialmente uma discussão sobre a renegociação do maior acordo comercial, o Nafta, entre os Estados Unidos, Canadá e México, após apelo dos dois países.   

"Nas relações internacionais, o governo Trump vem buscando resgatar um poder que, supostamente, foi erodido durante o governo Obama, que herdou os péssimos resultados de uma política externa desastrosa dos anos do governo Bush", acrescentou o professor do Mackenzie.   

Com a China, as relações também oscilaram com críticas à omissão de Pequim em relação ao cada vez maior poder bélico da Coreia do Norte. No último mês, o chefe de Estado começou a enfrentar o seu maior desafio como líder da maior potência mundial: conter os planos nucleares dos norte-coreanos. "Usar da força contra a Coreia do Norte pode produzir resultados ainda mais desastrosos no delicado espaço geopolítico asiático, onde estão concentradas as principais potências nucleares do mundo e constitui-se no centro dinâmico da economia global", explicou Cardoso.   

"O governo Trump está enfrentando um cenário mais complexo que os trabalhados durante a campanha eleitoral e, nesse campo, as consequências de uma política irresponsável podem ser desastrosas", ressaltou.   

Trump completa 100 dias de governo como o mandatário mais impopular do país em quatro décadas, com apenas 30% de aprovação, segundo pesquisas. No entanto, o republicano insiste em avaliar sua política com extremo otimismo. "Acho que nunca vimos nada igual, acredito que ninguém fez o que fomos capazes de fazer em 100 dias", afirmou.(ANSA)
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