É possível tornar aeroportos seguros contra ataques?

Richard Westcott

Repórter de Transportes da BBC News

  • Osman Orsal/Reuters

    Policiais fazem ronda no aeroporto de Ataturk, em Istambul, no dia seguinte ao atentado

    Policiais fazem ronda no aeroporto de Ataturk, em Istambul, no dia seguinte ao atentado

"O que mudou nos últimos anos é o elemento suicida. É difícil combater pessoas dispostas a explodir a si mesmas."

Essas são as palavras de Norman Shanks, que gerenciava a segurança dos maiores aeroportos do Reino Unido e estava no comando de Heathrow, o principal aeroporto britânico, em 1988, quando uma bomba derrubou um jumbo e resultou na morte de 270 pessoas.

Na época, Shanks transferiu os postos de controle para fora do terminal, pensando que isso o tornaria mais seguro. Mas logo percebeu que a medida havia apenas tranferido o problema para o lado de fora do aeroporto.

"Se teve qualquer efeito foi o de elevar a insegurança, porque os passageiros ficaram amontoados nas calçadas, deixando-os vulneráveis."

Qualquer lugar que reúna muitas pessoas é um alvo, não importando quantos policiais estejam presentes ali. Então, como impedir ataques a aeroportos?

Nesta terça-feira, o aeroporto internacional de Istambul, um dos mais movimentados da Europa, foi alvo de um atentado a bombas e tiros, que deixou ao menos 41 mortos - 13 deles estrangeiros - e 239 feridos. Nenhum grupo assumiu até o momento a autoria do ataque, mas autoridades turcas dizem que investigações iniciais apontam para o grupo autodenominado Estado Islâmico.

Em 22 de março, em Bruxelas (Bélgica), explosões atingiram o saguão do aeroporto de Zaventem e uma estação de metrô, com um saldo de 35 mortos.

Um dia após o atentado, aeroporto de Istambul exibe destruição

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Inteligência

Shanks diz que a melhor forma de proteger aeroportos é usar informações de inteligência. Em outras palavras, identificar um ataque com antecedência, empregar tecnologia de reconhecimento facial para encontrar suspeitos por meio de imagens de câmeras de segurança e ensinar funcionários a notar comportamentos estranhos.

Por exemplo, ele diz ter chamado sua atenção o fato de os homens que atacaram o aeroporto de Bruxelas não estarem carregando bagagem - algo suspeito em um aeroporto. "Ninguém mais viaja assim hoje em dia."

A segurança de aeroportos foi bastante reforçada em anos recentes. Hoje, sapatos precisam ser checados, e há restrições para líquidos - duas medidas aplicadas após ataques serem impedidos, um com uma bomba em um sapato e outro com explosivos líquidos. Os aparelhos de raio-x também melhoraram.

Mas Shanks afirma que o controle de segurança aplicado a funcionários deveria ser mais rígido em alguns aeroportos do mundo.

Ele diz se preocupar com "a ameaça interna: os riscos de funcionários levarem algo escondido para dentro do avião", apesar de, ao menos em alguns países, tripulantes passarem por checagens de segurança.

Mesmo a comida servida no avião é lacrada antes de chegar ao aeroporto, e, caso o lacre seja violado, sua entrada não é permitida.

Questionado se os responsáveis por ataques têm evitado sequestrar ou plantar bombas nas aeronaves e se concentrado nos terminais, ele diz: "Não, é apenas um outro alvo. Ainda tivemos o atentado ao Metrojet".

Acredita-se que o voo 9268 da Metrojet tenha sido derrubado no ano passado por uma bomba quando estava a caminho do Egito para a Rússia.

No entanto, ele acredita que o atentado desta terça na Turquia não tenha relação com o setor aéreo.

"Não vejo como um ataque à aviação. Eles apenas escolheram um lugar onde há pessoas reunidas. Pode ser um shopping da próxima vez, ou uma estação de trem."

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