Blogueiro do 'Washington Post' compara 'pior cenário econômico sob Trump' com governo Dilma

  • Eric Thayer/The New York Times

A agenda do presidente eleito Donald Trump para a economia americana é muito parecida com a da ex-presidente Dilma Rousseff e pode levar os Estados Unidos a um cenário de crise semelhante ao que o Brasil está enfrentando.

A análise acima é do repórter e blogueiro americano Max Ehrenfreund, do jornal "The Washington Post".

Trump "planeja combinar restrições às importações - como defendem alguns políticos de esquerda - com políticas tradicionais do Partido Republicano, como alívio fiscal para os mais ricos e as grandes corporações, além de mais empréstimos federais", diz ele.

Ele compara esse plano com o que ocorreu no Brasil:

"Para estimular a economia, Dilma aumentou as restrições às importações, prometeu novos gastos em infraestrutura e garantiu subsídios generosos para as grandes empresas."

Protecionismo e expansão fiscal

Ele lembra que a economia brasileira está numa recessão severa e persistente, citando que em 2015 o PIB do Brasil encolheu 3,8% e que o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um novo declínio, de 3,3%, neste ano.

"A inflação acelerou num ritmo anual de 10,6% no começo deste ano, segundo o Banco Central. A taxa de desemprego subiu para 11,8% no último trimestre."

Em seu texto, o blogueiro americano cita a análise da economista brasileira Monica de Bolle, do Peterson Institute for International Economics e autora de um artigo sobre as semelhanças dos planos econômicos de Trump e Dilma.

"É uma combinação de protecionismo e expansão fiscal", disse ela a Ehrenfreund.

Um ano antes da posse de Dilma no primeiro mandato, continua o repórter, a economia brasileira crescia num ritmo rápido: 7,5% ao ano.

"As exportações para o mercado global ajudaram a sustentar esse crescimento e fortaleceram a agenda populista do antecessor de Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva."

"Seu governo continuou oferecendo crédito barato para as principais empresas brasileiras por meio do banco de desenvolvimento estatal", analisa, para afirmar que este e outros benefícios, mais a queda dos preços das matérias-primas em todo o mundo, contribuíram para aumentar o endividamento do Brasil.

No governo Dilma, os gastos do governo foram maiores do que a arrecadação, continuou ele.

O repórter ainda diz no texto que "diagnósticos das agências de classificação de risco Moody's e Standard & Poor's sugerem que os investidores que emprestaram dinheiro ao governo brasileiro correm risco de não serem pagos".

Ele afirma também que Dilma anunciou, no ano passado, US$ 64 bilhões em investimentos em infraestrutura - mas que esse plano, assim como o de Trump, dependia do financiamento do setor privado.

"O fato é que o governo Dilma foi muito mais generoso com os ricos do que com os pobres", afirmou De Bolle ao blogueiro - uma abordagem "muito parecida com a de Trump".

No texto, o repórter faz um alerta:

"Embora existam diferenças importantes entre as economias do Brasil e dos EUA, as políticas de Dilma servem como um exemplo de cautela para os recém-empoderados republicanos em Washington", escreveu Ehrenfreund.

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