Oito gráficos que explicam a cultura das armas nos EUA

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O pior ataque a tiros da história dos Estados Unidos levantou novamente questões sobre a posse de armas.

Defensores de restrições usaram o atentado em Las Vegas, que deixou ao menos 58 mortos e mais de 500 feridos, para ilustrar seus argumentos em prol de regras mais rígidas, enquanto o presidente Donald Trump disse que esse debate "não deve ser travado agora".

Ao mesmo tempo, opositores de medidas do tipo dizem que elas violam a 2ª Emenda da Constituição do país, a qual diz que, "sendo necessária à segurança de um Estado livre a existência de uma milícia bem organizada, o direito do povo de possuir e usar armas não poderá ser infringido".

Trata-se de uma dinâmica que vem à tona sempre que ocorre uma tragédia envolvendo o uso armas de fogo. Entenda o quadro:

Como os EUA se comparam a outros países?

Cerca de 40% dos americanos dizem ter uma arma ou viver em uma casa onde há uma, segundo uma consulta feita do instituto de pesquisa Pew em 2017. O país tem a maior taxa de homicídios com armas de fogo do mundo desenvolvido --houve mais de 11 mil assassinatos do tipo em 2016.

Homicídios mencionados aqui incluem as modalidades dolosa e culposa. O FBI separa essas estatísticas do que chama de homicídios justificáveis, o que inclui a morte de um criminoso por um agente de segurança pública ou cidadão comum em determinadas circunstâncias, que não estão incluídos.

Quem são os donos de arma no mundo?

Mesmo que seja difícil saber exatamente quantas armas estão nas mãos de civis ao redor do mundo, seja qual for a estimativa, os Estados Unidos lideram de longe, com 270 milhões de unidades.

Suíça e Finlândia são os países europeus com mais armas por pessoa --em ambos, o serviço militar é obrigatório para homens com mais de 18 anos.

Qual o motivo das mortes por armas de fogo nos EUA?

Houve mais de 90 ataques a tiros --homicídios envolvendo quatro ou mais vítimas-- nos Estados Unidos desde 1982. Mas o número de pessoas mortas assim a cada ano representa apenas uma pequena fração do total.

Houve quase duas vezes mais suicídios envolvendo armas de fogo em 2015 do que assassinatos com armas, e essa proporção vem aumentando nos últimos anos.

Suicídios por armas de fogo respondem por quase metade de todos os suicídios nos Estados Unidos, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

Um estudo de 2016 publicado no periódico científico "American Journal of Public Health" aponta para uma correlação forte entre os altos níveis de posse de arma em um Estado e maiores taxas de suicídio de homens e mulheres.

Ataque em Las Vegas

Foi o pior na história recente dos Estados Unidos --e os três ataques a tiros com maior número de mortos ocorreram nos últimos dez anos.

Quais armas são mais usadas para matar americanos?

Armas militares de assalto, como fuzis, são apontadas como a razão do grande número de vítimas em ataques como à boate Pulse, em Orlando, e à escola Sandy Hook, em Connecticut.

A polícia disse que diversas armas do tipo foram encontradas no quarto onde estava o atirador em Las Vegas.

Alguns Estados americanos baniram armas de assalto, com acesso controlado a elas por uma década até 2004. No entanto, na maioria dos assassinatos com armas são usadas pistolas, segundo dados do FBI.

Quanto custa uma arma?

Para quem é de países em que a posse de armas de não é tão comum, pode ser surpreendente descobrir que elas são relativamente baratas nos Estados Unidos.

Tendo em mente que 23 armas foram achadas no quarto de hotel de Paddock e outras 19 em sua casa, ele pode ter gasto de mais US$ 70 mil (R$ 218,9 mil) com armas e acessórios como tripés, miras, munição e cartuchos.

Quem apoia o controle de armas?

A opinião pública americana sobre o veto a armas mudou drasticamente nos últimos 60 anos. A base de dados deste gráfico está incompleta, mas mostra que o apoio se inverteu com o tempo, e hoje uma maioria significativa é contra, segundo o instituto de pesquisa Gallup.

No entanto, alguns tipos de controle recebem o apoio de pessoas de todas as posições do espectro político, como restringir a venda de armas a pessoas com problemas mentais ou em incluídas em listas de "observação".

Ao comentar recentemente sobre os ataques a tiros, Trump disse que "debaterá leis de armas com o passar do tempo". A Casa Branca afirma que agora não é o momento para falar do assunto.

Seu antecessor, Barack Obama, teve problemas ao tentar implantar leis de controle de armas por causa da oposição do Partido Republicano, o mesmo de Trump.

Quem se opõe ao controle de armas?

A Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês) faz campanha contra todas as formas de controle de armas nos Estados Unidos e argumenta que mais armas tornam o país mais seguro.

Esse é um dos grupos de lobby mais poderosos do país, com um orçamento substancial para influenciar membros do Congresso sobre sua posição quanto à política de armas.

Em geral, um a cada cinco donos de armas americanos são membros da NRA, que tem amplo apoio entre os republicanos que têm armas, diz o instituto de pesquisa Pew.

Em termos de lobby, a NRA gasta oficialmente cerca de US$ 3 milhões (R$ 9,4 milhões) por ano.

O gráfico mostra apenas as contribuições registradas a legisladores publicadas nos Registros Públicos do Senado. A NRA gasta ainda vários milhões mais com outras ações, como o apoio a campanhas de candidatos políticos que são contra o controle de armas.

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