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7 de Setembro: grupos bolsonaristas se dividem entre euforia e frustração com manifestações

Jair Bolsonaro com crianças em carro durante manifestação em Brasília - Reuters
Jair Bolsonaro com crianças em carro durante manifestação em Brasília Imagem: Reuters

07/09/2021 21h05

Membros de grupos bolsonaristas no Telegram tiveram reações variadas às manifestações pró-governo deste Sete de Setembro.

Enquanto alguns exaltaram os atos e se disseram esperançosos com atitudes que poderiam ser tomadas por Jair Bolsonaro nos próximos dias, outros expressaram frustração com os discursos do mandatário e avaliaram que ele perdeu a chance de adotar medidas mais drásticas.

A BBC News Brasil monitorou as reações às manifestações em três grupos bolsonaristas.

Muitos integrantes postaram fotos e vídeos dos protestos em várias cidades e elogiaram a quantidade de pessoas presentes.

Entre os mais entusiasmados, sobraram críticas a órgãos de imprensa que cobriam os eventos e insinuações de que falhas na transmissão dos discursos do presidente teriam sido causadas propositalmente.

"Não espero nada da mídia! Informação séria é aqui. Real!!", disse um militante em um canal com 36 mil membros que se define como o "maior grupo de apoio a Bolsonaro do Brasil".

Outro integrante do grupo classificou as manifestações desta terça como "gigantescas, fantásticas e históricas".

"Meu deus, eu nunca vi algo tão gigante", disse outro.

Uma ativista bolsonarista em Jundiaí (SP) também exaltou o "bom público" presente no ato na cidade, mas reclamou da ausência de jovens.

"Sem intercorrências, filas, crianças, idosos. Mas infelizmente adolescentes e jovens nenhum! Precisamos repensar como atingir esta população de 16 a 40 anos, lembrando que eles serão o futuro e destino da nação! E hoje não conseguem nem ver de forma concreta o que está acontecendo", alertou.

'Não adiantou nada'

Vários membros, porém, tiveram uma avaliação mais negativa dos atos e se queixaram dos discursos do presidente, dizendo que esperavam ações mais contundentes.

Para eles, Bolsonaro deveria ter mobilizado as Forças Armadas para uma "intervenção" ou anunciado medidas mais duras em seu embate contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

"Qual ação ele vai tomar? Mais uma vez fomos às ruas para NADA", disse um apoiador.

"Achei o pronunciamento muito fraco. O povo quer mais. Chega de 4 linhas da Constituição. Presidente devia ter intimado o impeachment de no mínimo três ministros do STF ", escreveu outro.

"Parabéns ao povo por seu empenho, mas não adiantou de nada, cadê a intervenção? Só deu oportunidade de ferrarem ainda mais o presidente ", disse um integrante.

Diante das críticas ao presidente, alguns membros pediram paciência aos colegas.

"Calma, amigo, Deus está no comando, não se resolve as coisas do dia para noite, tem que ter estratégia", ponderou um apoiador.

"Os discursos e o povo todo na rua é um passo nessa guerra", afirmou outro.

"O pessoal quer botar o carro na frente dos bois. Bolsonaro é o cara mais inteligente dentro da política", disse uma integrante.

'Tudo pode acontecer'

Vários membros dos grupos se disseram esperançosos quanto ao anúncio de que Bolsonaro convocaria o Conselho da República nesta quarta-feira (8/9).

O órgão tem entre suas atribuições tratar da "estabilidade das instituições democráticas de direito".

"Bolsonaro já agiu, pessoal. Vai acionar o conselho da república dia 8. Tudo pode acontecer. Oremos", escreveu um apoiador.

"Amanhã o chicote estrala", disse outro.

A convocação do Conselho, no entanto, não aconteceu.

Boa parte das mensagens publicadas ao longo do dia, porém, não tratava das manifestações em si, mas sim denunciava a presença de "esquerdistas infiltrados" nos grupos.

"Pessoal, deixem os infiltrados falando sozinhos, não vamos dar ibope pra eles, é isto que eles querem....vamos em frente", pediu uma apoiadora.

"A real é que este grupo está abandonado", queixou-se outro membro. "O dia inteiro ficamos denunciando esquerdistas infiltrados e NENHUM administrador se manifestou."

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.