Putin ampliará sanções contra Turquia por derrubada de caça na Síria

Moscou, 25 jan (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou nesta segunda-feira que ampliará as sanções contra a Turquia no setor da construção pelo derrubada no ano passado de um caça russo SU-24 na fronteira com a Síria.

"Os atuais contratos (com empresas turcas) seguem em vigor, mas, apesar de tudo, as restrições nesse setor (da construção) serão ampliadas", disse Putin, citado por meios de comunicação locais.

Durante um fórum de sua plataforma eleitoral, a Frente Popular de Toda Rússia, o chefe do Kremlin destacou que, se a Rússia decidiu não romper todos os contratos com a Turquia, foi porque isso teria prejudicado os interesses do país.

Putin estimou em 300 o número de construtoras turcas que operam na Rússia e em US$ 50 bilhões o volume de contratos, alguns deles estreitamente vinculados com as infraestruturas para a Copa do Mundo de 2018, sejam estádios, estradas ou aeroportos.

"O governo tomou a decisão de não assinar novos contratos com empresas turcas e isso, certamente, permitirá a nosso setor da construção aumentar sua pasta de pedidos e exigirá novos quadros especializados", ressaltou.

Putin calculou em mais de 87.000 os postos de trabalho que podem ser criados graças à ampliação de sanções contra a Turquia, país que se nega a desculpar-se formalmente e a compensar à Rússia pela derrubada do caça russo na fronteira síria.

O presidente russo assegurou que estas sanções, da mesma forma que as adotadas por ele contra os alimentos da União Europeia, estão "plenamente justificadas", já que são uma resposta a "ações destrutivas".

O chefe do Kremlin considera que é "praticamente impossível" chegar a um acordo com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, a quem acusou de dar as costas a Atatürk (Mustafa Kemal, o fundador do atual Estado laico turco) ao abrir caminho para atuação de radicais islamitas na Turquia.

Como represália, Putin ordenou a adoção de sanções econômicas contra a Turquia, como a suspensão de voos e das viagens de turistas russos, a imposição de vistos, o congelamento de acordos comerciais e o embargo a verduras e frutas.

Além disso, acusou a Turquia de derrubar o avião russo para proteger as vias de provisão do petróleo que o grupo jihadista Estado Islâmico extrai nos territórios sob seu controle na Síria e no Iraque, o que foi negado categoricamente por Erdogan.

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