Socialistas espanhóis consultarão militantes sobre pactos de governo

Celia Sierra.

Madri, 30 jan (EFE).- O número um dos socialistas espanhóis (PSOE) Pedro Sánchez, líder da oposição, anunciou neste sábado que qualquer acordo de governo que seja feito com outras formações será submetido a uma consulta não vinculativa dos militantes do partido e passará por "todos os filtros e garantias possíveis".

Sánchez assumiu este compromisso hoje durante a realização do Comitê Federal do partido frente aos dirigentes das federações territoriais socialistas.

Todas as expectativas para levar adiante um governo foram colocadas nele após a renúncia do presidente de governo interino, Mariano Rajoy, a submeter-se a posse, e a oferta que recebeu de Podemos, a terceira maior força política de esquerda, para formar um Executivo em coalizão.

Esta consulta à militância - uma medida inédita na história do PSOE - é uma resposta às reservas internas geradas pela aliança com Podemos, que entre suas promessas eleitorais inclui um referendo vinculativo sobre a independência da Catalunha.

Embora esta consulta não seja vinculativa, "comprometerá politicamente" o PSOE e obrigará os críticos de Sánchez a acatar a decisão das bases, a priori mais favoráveis a aprovar pactos com outras formações de esquerda.

Após a renúncia de Rajoy, que recusou a oferta do rei Felipe VI, mas não retirou sua candidatura, a Espanha vive a segunda rodada de consultas da qual deveria sair um candidato que tente reunir apoio parlamentar suficiente para ser empossado presidente e formar um Executivo, tarefa difícil em um cenário sem maiorias e um Congresso muito fragmentado.

Sánchez anunciou que se o rei lhe colocar como candidato, ele aceitará e tentará formar um governo com a maior base possível, tanto com Podemos quanto com Ciudadanos (liberais centristas), outro dos partidos emergentes que surgiu das eleições legislativas de 20 de dezembro, embora este último tenha se mostrado reticente.

"Todas as negociações possíveis de abrir serão abertas. Ninguém precisa se preocupar", afirmou Sánchez.

Uma semana depois das eleições legislativas, os socialistas assinaram um documento para futuros pactos, que marcava a integridade territorial nacional como uma de suas "linhas vermelhas" e a necessidade que os dirigentes territoriais aprovem qualquer pacto de governo, um roteiro que agora se soma a consulta não vinculativa.

"Não vou ser presidente a qualquer preço (...) Digo a Rajoy que abandone toda esperança. O PSOE não vai perdoá-lo com seu voto", advertiu o número um dos socialistas, que reiterou hoje rejeição à oferta de Rajoy de formar um governo de coalizão PP-PSOE.

Esta mensagem também parece dirigida aos históricos dirigentes socialistas, como o ex-presidente Felipe González (1982-96), que esta semana rejeitaram qualquer possível coalizão com Podemos e que defenderam que o PSOE facilite um governo do PP com sua abstenção.

Durante a reunião de hoje, o Comitê Federal socialista também definiu as datas do próximo congresso do partido, no qual será eleito um novo secretário-geral ou se renovará o mandato de Sánchez. O encontro acontecerá nos dias 20, 21 e 22 de maio.

Os dirigentes territoriais socialistas críticos de Sánchez pressionaram para que o congresso seja realizado nestas datas, e não em junho como queria a direção, para que, caso o bloqueio para formar Executivo desemboque em uma nova convocação de eleições, o partido possa chegar a essa data com um projeto renovado.

A data desta reunião reativou a discussão sobre a liderança de Pedro Sánchez, que obteve nas eleições passadas os piores resultados da história do partido, embora o atual secretário-geral tenha anunciado que se apresentará à reeleição.

A reunião do Comitê Federal de hoje acontece três dias antes de Sánchez se reunir com o rei, mesmo dia no qual o monarca encontrará Rajoy, e quando fechará a segunda rodada de consultas para propor um candidato que, posteriormente, se submeta a posse.

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