Complexo sistema eleitoral irlandês propicia resultados incertos

Dublin, 25 fev (EFE).- As eleições da República da Irlanda, que acontecem nesta sexta-feira, utilizam um sistema de representação proporcional com transferência de voto, um dos mais complexos do mundo, o que desacelera a apuração e dificulta as maiorias absolutas.

Este processo, pouco comum na maioria dos países europeus, costuma atrasar o anúncio dos resultados em até dois dias após a votação.

A apuração de votos começará às 6h (horário de Brasília) do sábado, e ao meio-dia serão divulgados os primeiros resultados oficiais de algumas das 40 zonas eleitorais do país.

Cada zona designa, de acordo com seu tamanho e densidade de população, entre três e cinco deputados para a Câmara Baixa, composta por 158 cadeiras.

O eleitor recebe uma cédula com a lista de candidatos, organizados em ordem alfabética, na qual deve marcar seu favorito com o número "1".

Se desejar, é possível marcar um segundo candidato com o número "2" e assim sucessivamente, de modo que seu voto poderá ser utilizado, segundo as normas de transferências, o quanto for necessário.

Para ser eleito, o candidato deve alcançar um número mínimo de votos necessários que garantam a eleição. Cada zona eleitoral tem sua própria cota, que é calculada mediante uma fórmula que divide o número total de votos válidos pelo número de cadeiras mais um, e ao resultado também é somado mais um.

Caso nenhum candidato atinja a cota necessária na primeira apuração, o menos votado é eliminado e seus votos são transferidos para os indicados como segunda preferência.

O que também pode acontecer é, na primeira apuração, um candidato obter mais votos que os necessários para ser eleito. Nesse caso, o excesso é separado e agrupado em pilhas de acordo com a segunda preferência. Cada candidato restante recebe um número proporcional de transferências, mediante fórmulas estabelecidas.

A apuração de votos continua até que todas as cadeiras tenham sido preenchidas com esse sistema. Caso o número de candidatos restantes - os não eliminados e os que não obtiveram um número suficiente de votos - iguale o de cadeiras vazias, esses serão escolhidos mesmo que não tenham atingido a cota.

O objetivo deste sistema é garantir aos eleitores que cada voto conta e não é desperdiçado caso seu candidato favorito não seja eleito.

Pouco mais de três milhões de pessoas estão convocadas às urnas para as eleições desta sexta-feira. Os estrangeiros não podem votar neste pleito, exceto os britânicos residentes na República da Irlanda.

Podem se candidatar os irlandeses maiores de 21 anos, mediante o pagamento de 500 euros. A quantia será devolvida caso o candidato receba mais de 25% da cota necessária. Ficam impedidos de se candidatar pessoas falidas, clérigos, juízes e integrantes das forças de segurança.

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