Anistia Internacional acusa Hungria de cometer abusos contra refugiados

Budapeste, 27 set (EFE).- A Anistia Internacional (AI) denunciou nesta terça-feira (data local) que os refugiados que chegam à Hungria são submetidos a abusos e a um tratamento "degradante" por parte das autoridades.

"Milhares de solicitantes de asilo, incluindo menores sem acompanhantes, estão sofrendo violentos abusos" afirma esta ONG de direitos humanos em um relatório publicado hoje.

Esta denúncia se soma às que outras ONGs vêm formulando há meses sobre o tratamento desumano aos refugiados na Hungria e sobre as duras medidas anti-imigração do governo conservador do primeiro-ministro Viktor Orbán.

Às cercas em suas fronteiras e às penas de até cinco anos de prisão pela entrada ilegal no país, a Hungria somou em julho a expulsão para uma "terra de ninguém", entre Hungria e Sérvia, de todos os imigrantes irregulares que sejam detidos nos primeiros oito quilômetros de solo húngaro.

Ali, sem nenhuma ajuda nem serviços básicos, devem esperar durante semanas e meses até que se tramite seu pedido de asilo.

"Centenas de solicitantes de asilo esperam na fronteira durante meses em condições degradantes", detalha o relatório da AI, no qual se explica que solicitantes de asilo denunciaram que foram espancados, pisoteados e até perseguidos por cachorros.

"Quando cheguei pensava que a Hungria é a Europa, que talvez fosse ficar bem. Mas me dei conta que eles nos odeiam aqui", descreve no relatório um cidadão afegão a quem a AI não identifica.

Esta ONG lembra que no próximo domingo será realizado na Hungria um plebiscito para que a população opine se aceita o sistema para situar os refugiados em todos os países da União Europeia, rejeitado por Orbán.

A expectativa é que o "não" ganhe de forma contundente em uma consulta impulsionada pelo governo, que relacionou a imigração com o terrorismo durante a campanha para o plebiscito. Para AI se trata de um "plebiscito tóxico".

"Orbán substituiu o Estado de direito pelo Estado do medo", denuncia John Dalhuisen, diretor da AI para a Europa.

Devido à campanha do plebiscito, "a tóxica retórica antirrefugiados está alcançando seu ponto culminante" opina a organização, que adverte que as políticas de Orbán representam uma "verdadeira ameaça" para o Estado de direito e os direitos humanos. EFE

mn/rsd

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