Trump se reúne com hispânicos em Miami após 1º debate presidencial

(Atualiza com novas declarações)

Miami, 27 set (EFE).- Um dia depois do primeiro debate com a rival democrata, Hillary Clinton, o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniu nesta terça-feira em Miami a portas fechadas com mais de cem líderes hispânicos em meio a protestos de outros integrantes da comunidade.

Após duas tentativas fracassadas em julho, o milionário conseguiu concretizou um encontro com a comunidade hispânica no Koubek Center, do Miami Dade College, ao qual chegou inclusive um pouco antes da hora combinada, entre os protestos de dezenas de ativistas, sindicalistas e estudantes.

"Cada vez que ele vier a Miami, vamos denunciar seu racismo e sua xenofobia", declarou María Asunción Bilbao, uma argentina sem documentos da organização Famílias Unidas, que qualificou o magnata como "pessoa ruim" e de "perigo" para os EUA.

A ativista, que considerou que a candidata democrata "brilhou mais" no debate realizado na segunda-feira em Nova York, se mostrou confiante que nas eleições de novembro "o país dará uma melhor lição no racismo que Trump disparou".

"É um candidato que quer dividir. Dividir a classe média, os pobres, os negros. A visão da América que ele tem, limitada e muito pequena, não será suficiente" para ganhar as eleições, afirmou Elbert García, diretor da ONG Florida's Voice.

"Esta gente que está aqui fora também trabalha, também paga impostos e também tem o direito de estar aí dentro para dar sua perspectiva e suas críticas", acrescentou García, que, como o restante dos manifestantes, se manteve aos arredores do recinto, apesar da chuva.

No Koubek Center, Trump se reuniu por cerca de meia hora com integrantes da comunidade hispânica, entre eles líderes republicanos locais, como a porta-voz hispânica do Partido Republicano, Helen Aguirre Ferré, além de empresários e religiosos.

Um dos presentes à reunião desta terça-feira, Mario Bramnick, presidente da Coalizão de Liderança Hispano-Israelense, afirmou que Trump é o único que pode deter a trajetória deste "momento crítico" nos Estados Unidos e que, segundo disse, em parte se deve ao Partido Democrata.

"É a mesma voz, o que ouvimos em Cuba e o que vemos do Partido Democrata. Estamos preocupados, quem veio de Cuba ou Venezuela está vendo muitas semelhanças em relação a como começou o governo de (Fidel) Castro ou (Hugo) Chávez", afirmou o religioso, que é membro do Comitê Nacional Hispânico por Trump.

No primeiro dia de campanha eleitoral após o debate, o magnata afirmou em seu encontro com os hispânicos, muitos deles de origem cubana, que o restabelecimento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba, concretizado em julho de 2015, deveria ter sido feito "com princípios", segundo Bramnick.

Trump "disse que faria uma aproximação com Cuba, mas com um enfoque diferente", detalhou Julio Rumbaut, presidente da empresa de consultoria Rumbaut e um dos mais de cem presentes ao encontro.

O empresário considerou "positiva" a reunião porque o candidato republicano teve a oportunidade de conhecer as "diferenças e matizes" entre a migração política e a migração econômica.

As pesquisas mais recentes mostram uma disputa muito acirrada entre Hillary e Trump na Flórida, embora a candidata presidencial democrata seja a preferida do eleitorado hispânico.

Uma pesquisa elaborada pela Florida Atlantic University e divulgada na semana passada mostrou que Hillary Clinton mantém uma vantagem sobre Trump entre os eleitores latinos "similar" à que o presidente dos EUA, Barack Obama, teve nas eleições de 2012 frente ao republicano Mitt Romney. A candidata democrata deve realizar uma visita a Miami na próxima sexta-feira.

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