Santos espera novo acordo de paz em novembro e não descarta outro referendo

José Antonio Vera e Jaime Ortega Carrascal.

Bogotá, 28 out (EFE).- O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, considera que um novo acordo de paz com a guerrilha das Farc pode ser concluído até o final de novembro e não descarta convocar outro referendo.

Santos concedeu uma entrevista exclusiva à Agência Efe, a primeira de uma agência internacional de notícias desde que o acordo com as Farc foi rejeitado pelos colombianos no referendo do dia 2 de outubro, fórmula que não descarta voltar a utilizar quando se chegar a um novo pacto com essa guerrilha.

"Pois é uma das alternativas que tenho a minha disposição", disse ao ser perguntado se convocaria um novo referendo.

O presidente lembrou que a Corte Constitucional colombiana "determinou que podia sem permissão do Congresso convocar um novo referendo", mas ressaltou que como chefe de Governo deve "optar pelo caminho que menos divida ao país" na hora de referendar um novo acordo.

"Não descartei nenhum e quando tivermos os novos acordos, dependendo da amplitude do consenso, vamos determinar que caminho vamos tomar", manifestou.

O presidente não teme ir novamente às urnas para levar adiante seu projeto de paz para a Colômbia, e confessou que nunca imaginou "que íamos ter o resultado que tivemos", em referência aos 50,21% com o qual a opção do "não" venceu na consulta popular.

"Acredito que ter perdido por tão pequena margem (cerca de 50.000 votos) foi melhor que ter ganhado, porque se tivéssemos ganhado por uma margem pequena este país estaria em chamas. Por outro lado, agora temos a grande oportunidade de ter um melhor acordo e ter um país mais unido", expressou.

Esse comentário faz referência à oposição liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, líder e senador do partido Centro Democrático, a quem Santos convidou para um "grande diálogo nacional" no discurso no qual reconheceu sua derrota no referendo.

Dias depois e pela primeira vez em seis anos, recebeu Uribe na Casa de Nariño, sede do governo, para dialogar sobre as diferenças em torno do acordo de paz e buscar consensos que permitam negociar um novo pacto com as Farc, no qual trabalham novamente em Havana as equipes negociadoras.

"Reiniciamos um processo que deve terminar muito em breve, nas próximas semanas, não meses mas semanas, para poder implementar a paz também o mais breve possível", afirmou.

Neste ponto da entrevista à Efe considerou que o Prêmio Nobel da Paz com o qual foi agraciado apenas cinco dias depois de perder o referendo, "caiu do céu, em um momento muito importante, porque isso nos deu um novo impulso para antecipar o processo de diálogo nacional".

Perguntado se no próximo dia 10 de dezembro, quando receber em Oslo o Nobel, anunciará em seu discurso esse novo acordo com as Farc, o presidente se absteve de dar datas, mas disse que pode ser antes.

"Espero que esse novo acordo já pelo menos esteja sobre a mesa para essa data, não sei se colocado em prática, eu acredito que implementá-lo iria precisar de um pouco mais de tempo, ou de repente sim, mas o texto e um novo acordo é nosso objetivo antes do fim de novembro", expressou Santos.

Segundo ele, é necessário proceder com rapidez: "O tempo conspira contra o processo. Seria fatal que isto se rompesse e voltássemos à guerra com as Farc; seria uma catástrofe".

O presidente colombiano se referiu também à negociação com a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN), que devia começar ontem em Quito e foi adiada porque esse grupo não liberou sequestrados, condição necessária para começar a dialogar.

"Houve problemas no dia em que íamos começar essa fase pública porque não se completou a libertação de alguns sequestrados. Espero que muito em breve aconteça para poder iniciá-la, de modo que tenho toda a vontade e a melhor intenção de avançar com o ELN também", afirmou.

Santos concedeu a entrevista às vésperas da XXV Cúpula Ibero-Americana de chefes de Estado e de Governo, da qual será anfitrião hoje e amanhã em Cartagena das Índias e que tem como tema "Juventude, Empreendimento e Educação", por isso que pediu aos jovens para assumirem um papel mais representativo na sociedade.

"Isso é muito importante para nossa democracia e muito importante para qualquer sociedade, que os jovens se empoderem e se apropriem das grandes decisões, e qual decisão mais importante para um país pode haver do que a paz?", disse.

Assim que terminar a cúpula, o presidente viajará para Londres onde no dia 1º de novembro iniciará uma visita de Estado ao Reino Unido, a primeira de um governante colombiano a esse país, algo que o orgulha.

"É a primeira vez que após 200 anos de vida republicana na Colômbia um presidente faz uma visita de Estado (ao Reino Unido); em meu caso particular tem uma importância pessoal porque eu vivi dez anos na Inglaterra, tenho um grande apreço pelo Reino Unido", declarou Santos.

Essa visita, durante a qual será hóspede da rainha Elizabeth II no Palácio de Buckingham, servirá para fortalecer a relação comercial e os investimentos entre os dois países que, segundo disse, se complementam em muitas áreas.

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