Crise do Mercosul marcou ano em que Uruguai buscou novos horizontes

Montevidéu, 26 dez (EFE).- A crise na sucessão da presidência do Mercosul marcou para o Uruguai um 2016 no qual o país consolidou sua vontade de internacionalização comercial, derrotou a Philip Morris em sua luta antitabaco e adiou para o próximo ano a venda legal de maconha em farmácias.

O Mercosul ficou estagnado no meio do ano pela crise gerada pela transferência da presidência do bloco, que o Uruguai exerceu até 29 de julho, quando comunicou ao demais países-membros - Argentina, Brasil, Paraguai e Venezuela - o término de seu mandato.

No mesmo dia, a Venezuela anunciou que assumia a liderança do bloco, apesar da oposição de Argentina, Brasil e Paraguai, que argumentaram que o país caribenho não oferece credenciais democráticas e não respeita os direitos humanos.

O Uruguai defendeu sua decisão de não estender sua presidência do bloco além dos seis meses e se absteve - permitindo o consenso - quando em 13 de setembro Argentina, Brasil e Paraguai decidiram que, se em 1º de dezembro a Venezuela não se adequasse à legislação do Mercosul, seria suspensa.

Então, desde 2 de dezembro, quando os quatro países fundadores do Mercosul comunicaram que a Venezuela não gozaria mais de seus "direitos inerentes" como Estado parte do bloco pela "persistência do descumprimento das obrigações assumidas em seu Protocolo de Adesão, o Uruguai se tornou o salva-vidas de Caracas para reverter a situação.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pediu uma reunião ao seu homólogo uruguaio, Tabaré Vázquez, e este considerou que a suspensão temporária do país não é irreversível e pode ser discutida via fundamentos jurídicos e diálogo.

Vázquez defendeu o direito da Venezuela de continuar participando dos diferentes órgãos e instâncias do bloco ativamente e apoiou a iniciativa venezuelana da aplicação do Protocolo de Olivos para a Solução de Controvérsias no Mercosul.

Além da crise política, o grupo passa por uma crise econômica, pois "nem sequer" conseguiu abrir uma zona de livre-comércio entre os países-membros, algo que era sua etapa "mais primária", disse o ministro da Economia do Uruguai, Danilo Astori.

Por isso, o governo uruguaio, convencido de que o país deve abrir novos horizontes, passou os últimos meses do ano percorrendo o mundo para apresentar as qualidades do país como produtor e receptor de investimentos.

Assim, foi assinado um novo acordo comercial com o Chile, e Vázquez liderou uma extensa missão oficial à China, onde se fixaram os alicerces para um futuro tratado de livre-comércio entre ambas nações.

Brasil, Espanha, França e Áustria foram outros dos destinos do presidente uruguaio em visita oficial para apresentar um plano de investimentos em infraestruturas de US$ 12,370 milhões até 2020.

No ano de 2016 o Uruguai também estendeu um tapete vermelho para uma série de estrelas do cinema latino-americano na III edição dos Prêmios Platino, realizada em julho em Punta del Este, que recebeu 500 profissionais da sétima arte, dois mil convidades convidados e foi televisada para mais de 50 países.

Os Prêmios Platino fizeram do Uruguai a capital do cinema latino-americano e consolidaram sua vocação de abertura ao mundo e de destino turístico no Cone Sul, tanto que o Ministério do Turismo espera fechar o ano com um recorde de três milhões de visitantes.

Já a a implementação da venda legal de maconha em farmácias, de acordo com a lei aprovada em 2013 durante o mandato do ex-presidente José Mujica (2010-2015), foi adiada mais uma vez, para 2017.

As empresas implicadas (ICCorp e Simbiosys) trabalham desde fevereiro nos campos do Instituto de Regulação e Controle do Cannabis (Ircca) na produção da maconha que será vendida de maneira legal. No entanto, o registro oficial de consumidores e as farmácias que venderão a substância encontraram mais obstáculos.

O lançamento do registro de consumidores sofreu vários adiamentos, entre outras motivos por uma greve de trabalhadores do Correio Uruguaio, entidade que administrará o trâmite, que não será concluído em 2016.

Por sua vez, o conglomerado de farmácias do país viu "com bons olhos" o atraso no começo da venda de maconha pelos "muitos inconvenientes" que podem ter estes estabelecimentos, entre outras coisas "pela insegurança", como manifestou o vice-presidente do Centro de Farmácias do Uruguai (CFU), Alejandro Antalich.

Enquanto o processo da maconha segue seu andamento, no dia 9 de julho de 2016 o Uruguai, país de 3,4 milhões de habitantes, obteve uma vitória histórica sobre a multinacional produtora de tabaco Philip Morris em uma ação judicial pelas leis antitabaco do país, que são uma das bandeiras da gestão de Vázquez.

Nesse dia, o Centro Internacional para a Arbitragem de Disputas sobre Investimentos (Ciadi), dependente do Banco Mundial, ordenou que a Philip Morris pagasse US$ 7 milhões ao Estado uruguaio após perder um processo que abriu por se sentir desfavorecida pelas leis antitabaco do país.

A comunidade internacional comemorou a decisão do Ciadi a favor do Uruguai, que abriu um precedente mundial.

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