EUA e Japão selam sua aliança em Pearl Harbor sem perdões mútuos

Albert Traver.

Washington, 27 dez (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, selaram nesta terça-feira a "forte" aliança de ambos os países durante uma visita a Pearl Harbor (Havaí), apesar de o líder japonês ter evitado se desculpar pelo ataque perpetrado à base naval, como também não o fez Obama em maio em Hiroshima.

Ambos visitaram o monumento USS Arizona, erguido na baía da base naval e no qual descansam 1.102 dos 1.177 fuzileiros navais e marinheiros mortos nesse encouraçado durante o ataque japonês a Pearl Harbor, no qual no total morreram mais de 2.400 militares americanos.

No monumento, Abe jogou pétalas ao mar em honra aos mortos naquele 7 de dezembro de 1941 no ataque que marcou a entrada, no seguinte dia, dos EUA na Segunda Guerra Mundial.

"Joguei flores em nome do povo japonês sobre as águas nas quais jazem os marinheiros e fuzileiros navais. Descansem em paz almas preciosas dos mortos", explicou Abe em pronunciamento, no qual afirmou que a visita o deixou "sem palavras".

"Como primeiro-ministro japonês, ofereço minhas sinceras e eternas condolências às almas daqueles que morreram aqui, assim como aos espíritos dos valentes homens e mulheres cujas vidas foram tomadas por uma guerra que começou neste lugar, como também às almas dos incontáveis inocentes que se transformaram em vítimas da guerra", acrescentou em um gesto histórico.

Embora Abe seja o quarto primeiro-ministro japonês a visitar Pearl Harbor - os três anteriores o fizeram durante o pós-guerra -, é o primeiro a fazê-lo junto com um presidente americano e também o primeiro a realizar um gesto deste tipo.

O gesto, de fato, é parecido ao que também fez Obama em maio durante sua visita a Hiroshima, a cidade na que os EUA lançaram a primeira de suas duas bombas atômicas durante a disputa e que forçou a rendição do Japão após a morte de mais de 200 mil pessoas no total, a maioria civis.

Em Hiroshima, Obama refletiu sobre a tragédia ocorrida naquele 6 de agosto de 1945 em discurso cheio de referências morais e prestou homenagem às vítimas.

Em Pearl Harbor, Obama afirmou que a aliança com o Japão "nunca foi mais forte" do que agora, um momento no qual a expansão militar da China e o programa nuclear da Coreia do Norte ameaçam os interesses comuns: "Nos bons momentos e nos maus, aí estamos um para o outro".

O presidente americano enfatizou que a aliança com o Japão "ajudou a escorar um ordem internacional que evitou outra guerra mundial" e como tinha feito Abe minutos antes, fez uma declaração antibelicista.

"Há mais do que ganhar na paz do que na guerra. A reconciliação recompensa mais que o castigo", afirmou Obama, depois que o líder japonês fez um apelo para nunca se "repetir os horrores da guerra".

"Esse é o compromisso solene que nós, o povo do Japão, assumimos. Às almas dos soldados que eternamente descansam a bordo do USS Arizona, ao povo americano e a todos os povos do mundo, me comprometo com esse inquebrantável voto aqui como primeiro-ministro do Japão", acrescentou Abe.

No monumento USS Arizona, Abe e Obama pararam solenemente de pé em frente ao muro no qual aparecem gravados os nomes dos que aí morreram, puseram coroas de flores e fizeram um minuto de silêncio antes de jogar pétalas ao oceano.

O encontro com Abe foi possivelmente o último de Obama como presidente americano com um líder estrangeiro, já que dentro de 24 dias cederá o poder ao republicano Donald Trump.

Abe foi o primeiro líder internacional com o qual Trump se reuniu uma vez eleito presidente eleito, um encontro polêmico realizado no dia 17 de novembro na Torre Trump de Nova York e no qual participou a filha do empresário Ivanka. O primeiro-ministro do Japão considerou então Trump como um líder no qual pode ter "grande confiança".

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