Evo Morales afirma que "todos embaixadores dos EUA são agentes da CIA"

La Paz, 31 dez (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou neste sábado que "todos os embaixadores" dos Estados Unidos são "agentes da CIA" e voltou a acusar esse país de ser parte de uma conspiração para evitar que possa voltar a concorrer nas eleições de 2019.

"Todos os embaixadores dos Estados Unidos para mim são agentes da CIA. É uma luta de ricos e pobres, é a luta capitalismo versus socialismo", declarou Morales em entrevista coletiva na cidade de Cochabamba, no centro do país.

O presidente boliviano se referiu ao assunto ao ser consultado sobre a intenção de seus partidários de insistir em sua habilitação para que possa voltar a ser candidato em 2019, apesar de os bolivianos terem rejeitado majoritariamente essa possibilidade em um referendo realizado no último dia 21 de fevereiro.

Nessa consulta, realizada por iniciativa do governo, 51,3% dos eleitores rejeitou uma reforma constitucional para permitir que Morales tente nas eleições de 2019 um quarto mandato consecutivo até 2025, frente a 48,7% que a aprovou.

A Constituição assinada pelo próprio Morales em 2009 permite apenas dois mandatos consecutivos, mas o Tribunal Constitucional já o habilitou como candidato nas eleições de 2014, que coroou com um triunfo para exercer agora seu terceiro mandato.

Nos últimos meses, Morales, seus ministros e os dirigentes do governamental Movimento ao Socialismo (MAS) argumentaram que a população votou enganada no referendo de fevereiro.

Segundo o governo, a oposição e os Estados Unidos promoveram uma "guerra suja" usando denúncias de suposto tráfico de influência a favor da empresa chinesa Camce, na qual trabalhou Gabriela Zapata, que foi namorada de Morales entre 2005 e 2007.

Zapata, que está presa desde o final de fevereiro deste ano, foi investigada por usar escritórios do Ministério da Presidência para tirar proveito pessoal de entrevistas com investidores, supostamente sem que funcionários do governo se inteirassem.

A oposição boliviana denunciou então um suposto tráfico de influência a favor de Camce e um possível envolvimento do presidente, mas uma comissão do parlamento, controlado pelo governo, eximiu Morales e concluiu que as adjudicações foram legais.

Zapata também esteve envolvida em uma polêmica sobre um suposto filho que teve com o presidente em 2007, sobre quem primeiro garantiu que estava vivo, mas depois se retratou e afirmou que tinha morrido.

O governo boliviano assegurou que a criança nunca existiu e acusou a oposição e alguns veículos de comunicação de usar o caso para desprestigiar o governante.

Morales voltou a dizer hoje que "essa mentira" foi "preparada pela embaixada dos Estados Unidos".

Por fim, afirmou que a Bolívia está "melhor" desde que se libertou política e economicamente da "dominação imperial" e considerou que se "alguns companheiros" propõem que continue governando até 2025 é porque seu país vive "outros tempos".

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