Tropas do Senegal invadem Gâmbia para depor presidente

Em Dacar

  • Sylvain Cherkaoui/AP

    Soldados do Senegal posicionados na fronteira da Gambia próximo a Karang

    Soldados do Senegal posicionados na fronteira da Gambia próximo a Karang

Tropas do Senegal integradas no contingente da Comunidade Econômica dos Estados de África Ocidental (Cedeao) entraram nesta quinta-feira (19) na Gâmbia para expulsar o ex-presidente Yahya Jammeh, que se nega a ceder o poder em Banjul.

A operação militar começou pouco depois de o Conselho de Segurança da ONU aprovar uma resolução que respalda as gestões da Cedeao para conseguir que Jammeh entregue o poder, divulgada instantes após a posse de Adama Barrow como novo presidente em um ato realizado na Embaixada da Gâmbia em Dacar.

Barrow jurou seu cargo na presença de representantes do governo do Senegal, da ONU, da União Africana e da Comunidade Econômica dos Estados de África Ocidental (Cedeao), preparada para enviar suas tropas à Gâmbia para forçar Jammeh a deixar a presidência.

A ONU reiterou seu pedido a Jammeh para que transfira o poder hoje mesmo e expressou seu "total apoio" às ações da Cedeao, mas sem se referir concretamente à possibilidade de uma intervenção militar para forçar a saída do ex-presidente.

A resolução do Conselho de Segurança não faz menção concreta a essa possível ação armada, mas convoca todos os países da região e as organizações regionais a "cooperar com o presidente Barrow em seus esforços para conseguir a transferência do poder".

Momentos antes, durante sua posse, Barrow ordenou ao Exército de seu país que lhe mostre lealdade e não ofereça resistência perante a iminente intervenção da coalizão militar regional.

A Cedeao deu a Jammeh um ultimato que expirava na meia-noite da quarta-feira para que saísse antes de iniciar sua intervenção militar, mas o bloco regional finalmente atrasou a entrada de suas tropas para dar uma oportunidade à mediação do presidente da Mauritânia, Mohammed Ould Abdelaziz.

Thierry Gouegnon/Reuters
O presidente eleito da Gâmbia, Adama Barrow, tomou posse em Dacar (Senegal)

No entanto, o presidente mauritano também não conseguiu convencer Jammeh a ceder o comando, razão pela qual durante o dia de hoje a Cedeao esperou para obter o respaldo do Conselho de Segurança da ONU para iniciar sua intervenção.

Após aceitar sua derrota no pleito no último dia 2 de dezembro, Jammeh voltou atrás para tentar impugnar os resultados alegando supostos erros na apuração dos votos.

Desde então, a União Africana, a ONU e a comunidade internacional pediram a Jammeh, no poder há 22 anos, que se retire e aceite o veredito das urnas que reflete a vontade do povo gambiano.

Vestido com um tradicional traje africano de cor branca, Barrow, eleito com mais de 43% dos votos, jurou "assumir o cargo de presidente da Gâmbia, defender a Constituição e atuar conforme as leis do país".

O candidato proclamado vencedor das eleições presidenciais do último dia 1º de dezembro inicia assim um mandato de cinco anos em substituição de Jammeh, que governou com mão de ferro durante os últimos 22 anos.

O já ex-presidente, que se nega a ceder o poder por supostas irregularidades na apuração de votos que denunciou perante a Corte Suprema, declarou há dois dias um estado de emergência para impedir que a posse acontecesse em Banjul.
 

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