Serviço secreto da Alemanha espionou imprensa estrangeira, afirma revista

Em Berlim

  • Matthias Schrader/AP

    Base de monitoramento do BND em Bad Aibling, próximo a Munique, na Alemanha

    Base de monitoramento do BND em Bad Aibling, próximo a Munique, na Alemanha

O Serviço Federal de Informação da Alemanha (BND), órgão secreto do país que opera no exterior, espionou desde 1999 diversos veículos da imprensa estrangeira, como a emissora "BBC", a agência "Reuters" e o jornal "The New York Times", afirmou nesta sexta-feira (24) a revista "Der Spiegel".

A "Der Spiegel" publicou em seu site um trecho de uma matéria que sairá amanhã na edição imprensa da revista. Segundo a publicação, há documentos que o BND espionou pelo menos 50 "seletores" - termo que inclui números de telefone, de fax e e-mails - de diferentes jornalistas e redações de todo o mundo.

Entre os objetivos, a inteligência alemã tinha, por exemplo, uma dúzia de conexões de correspondentes da "BBC" no Afeganistão com a redação central do veículo em Londres, além de várias redações do serviço internacional da emissora pública britânica.

Na lista também aparece um correspondente do "The New York Times" no Afeganistão e conexões de celulares e telefones por satélite da agência "Reuters" no Afeganistão, Paquistão e Nigéria.

O BND, segundo a "Der Spiegel", se negou a comentar os documentos, que foram divulgados após a conclusão dos trabalhos de uma comissão de investigação do parlamento que analisou durante quase três anos o escândalo de espionagem dos EUA em países aliados e a colaboração fornecida pelo serviço secreto da Alemanha.

A última audiência da comissão ocorreu no dia 16 de fevereiro, que teve a presença da chanceler Angela Merkel, que reiterou sua rejeição à "espionagem entre amigos". Para Merkel, as práticas da Guerra Fria devem ficar no passado.

Merkel afirmou que não conhecia a espionagem do BND a parceiros europeus e instituições comunitárias até o escândalo ter sido divulgado. E lembrou que as leis sobre o serviço secreto foram modificadas para evitar que isso se repetisse no futuro.

Após as revelações do "Der Spiegel", a ONG Repórteres sem Fronteiras afirmou que o caso é um "terrível ataque à liberdade de imprensa" e "uma nova dimensão de violação da Constituição da Alemanha".
 

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