Divididos sobre Duterte, filipinos comemoram aniversário da revolução popular

Atahualpa Amerise.

Manila, 25 fev (EFE).- Milhares de filipinos foram às ruas do país neste sábado em várias manifestações pelo 31º aniversário da revolução contra o ditador Ferdinand Marcos, evento marcado pela crescente polarização sobre o atual presidente, Rodrigo Duterte.

Uma das principais avenidas de Manila, capital do país, onde 2 milhões de pessoas promoveram a revolta contra Marcos entre 22 e 25 de fevereiro de 1986, voltou a ficar lotada hoje para comemorar a chamada Revolução do Poder do Povo.

Os participantes criticavam Duterte com cartazes e cantos. O presidente é admirador declarado de Marcos e tem sido acusado de reviver a linha dura do ditador que governou o país com mão de ferro entre 12965 e 1986.

"Já derrubamos um ditador e derrubaremos outro se for necessário", disse em entrevista à Agência Efe a coorganizadora da manifestação, Rachel Antoinette.

Por outro lado, o presidente encontrou respaldo em seus seguidores, muito ativos nas redes sociais, que convocaram outro ato no centro da capital para mostrar apoio ao governo.

Diferentemente de outros anos, o governo decidiu que a cerimônia oficial para comemorar o aniversário da revolução será realizado de forma discreta no quartel das Forças Armadas do Campo Aguinaldo, que fica ao norte de Manila.

Duterte, que está em Davao, sua cidade natal, disse que o espírito da revolução não pertence a um setor ou grupo de pessoas, mas a todos os filipinos que acreditam na liberdade e na democracia, em uma aparente resposta aos organizadores dos protestos.

Os restos mortais de Ferdinand Marcos, que morreu no exílio em 1989, foram transferidos em novembro do ano passado ao Cemitério dos Heróis de Manila por iniciativa do governo de Duterte.

A mudança gerou grande polêmica porque Marcos é acusado de ser o responsável pela morte, tortura ou prisão ilegal de mais de 100 mil pessoas, além da suspeita de ter se apropriado ilicitamente de bilhões de dólares junto com sua esposa, Imelda.

Cerca de cem pessoas foram para o Cemitério dos Heróis para exigir a exumação e a transferência dos restos mortais do ditador que manteve o país sob lei marcial entre 1972 e 1981.

"Não viemos protestar só contra Marcos, mas também contra outra forma de autoritarismo, a do presidente Duterte, já que ele está tomando medidas ditatoriais, como prender seus inimigos políticos", disse à Efe o porta-voz do grupo Block Marcos, Tin Álvarez.

Ele citava o caso da senadora Leila de Lima, a mais fervente crítica de Duterte, que foi presa na última sexta-feira por supostamente ter recebido propinas de narcotraficantes quando atuou como secretária de Justiça.

A prisão da senadora, que a oposição e a ONG Human Rights Watch atribuem ao governo, elevou as tensões dos atos de hoje. Muitos manifestantes pediam a liberdade de Leila nas manifestações.

Outro dos protestos ocorreu em frente à embaixada dos Estados Unidos em Manila. Os manifestantes acusam Washington de apoiar a guerra contra as drogas de Duterte, que deixou mais de 7 mil mortos desde seu início em junho do ano passado.

No ato houve confronto entre agentes e manifestantes. Duas pessoas ficaram levemente feridas, segundo a Polícia.

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