Alemanha expressa decepção por prisão de jornalista do país na Turquia

Berlim, 28 fev (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Sigmar Gabriel, convocou o embaixador da Turquia em Berlim para expressar a decepção do governo do país com a prisão do jornalista turco-alemão Deniz Yücel e alertou que o incidente coloca a relação bilateral em risco.

A detenção e prisão de Yücel, correspondente do jornal alemão "Die Welt" na Turquia, é "um dos testes mais duros" para as relações entre os dois países nos últimos anos, disse o chefe da diplomacia do governo de Angela Merkel em entrevista coletiva.

A decisão de um juiz de Istambul de determinar que Yücel fosse transferido para uma prisão, após permanecer duas semanas detido, foi classificada por Gabriel como "decepcionante, inútil e desproporcional".

"As relações entre Turquia e União Europeia já eram complexas e ficarão ainda mais difíceis", afirmou Gabriel, que disse que a medida adotada pela Justiça turca torna "infinitamente difícil" o tratamento dos que tentam manter essa cooperação.

Gabriel, que já tinha expressado ontem inconformidade com a prisão do jornalista, disse que o incidente mostra as "grandes diferenças" entre os países da UE e a Turquia em relação à liberdade de imprensa.

"A Justiça não deve ser usada com fins políticos", ressaltou o ministro, indicando que, por trás da decisão, há um propósito de atuar para calar jornalistas críticos ao governo turco.

Yücel, que tem dupla nacionalidade, foi preso no dia 14 de fevereiro, após se apresentar voluntariamente à polícia da Turquia, sob a acusação de propaganda terrorista. Ontem, um juiz de Istambul determinou que ele fique detido preventivamente por "tempo indefinido", apesar de o jornalista não ter sido interrogado.

A chanceler Angela Merkel também expressou rejeição e decepção sobre a decisão judicial, e se comprometeu a fazer o possível para conseguir a libertação do jornalista.

Intelectuais e jornalistas decidiram fazer um anúncio de página inteira em alguns jornais para pedir a liberdade de Yücel. Escrito em alemão e turco, o texto cita o artigo 19 da Declaração de Direitos Humanos, que se refere à liberdade de expressão e imprensa.

Yücel é acusado de incitar o ódio e fazer propaganda de uma organização terrorista. Segundo as autoridades turcas, ele teria ligação com o grupo armado marxista Partido Frente Revolucionária de Libertação Popular, com o Partido Marxista-Leninista Comunista e com a guerrilha do Partido dos Trabalhadores do Curdistão.

As investigações contra Yücel começaram depois da invasão ao e-mail do ministro da Energia, Berat Albayrak, genro do presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, que é atribuído ao grupo clandestino Redhack, uma notícia divulgada pelo jornalista.

Quatro dias após a prisão do correspondente, a chanceler pediu pessoalmente ao primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, que garantisse um processo limpo e o respeito ao estado de direito.

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